Sem escolha, cidadão vai entregar dados pessoais no metrô de São Paulo

A Via Quatro, concessionária da linha amarela do metrô de São Paulo, instalou portas interativas digitais há poucas semanas nas estações Luz, Pinheiros e Paulista. Essa notícia já não é nova, contudo, o pessoal da Citylab foi além para entender essa história de reconhecimento facial.

Em abril, era comentado que a novidade poderia contabilizar o número de pessoas que passam em frente às telas — ainda que a mesma pessoa transite por ali mais de uma vez — e saber se o usuário prestou atenção no que está sendo exibido. As máquinas ainda distinguem as expressões faciais e as reações ao conteúdo institucional e pago. Tudo isso é real e realizado por sensores, telas e tecnologia de reconhecimento facial.

Segundo a Via Quatro, a ação é um “modelo inédito de interatividade com o público, as portas digitais interativas são um recurso visual tecnológico, que visa incrementar a comunicação com o passageiro, por meio de transmissão de campanhas de orientação, mensagens de prestação de serviço e anúncios publicitários. Sua tecnologia é formada por uma lente com sensor que reconhece a presença humana e identifica a quantidade de pessoas que passam e olham para tela. Basicamente os dados gerados são identificação de expressão de emoção (raiva, alegria, neutralidade) e características gerais que podem indicar se é um rosto feminino ou masculino”.

Sobre a privacidade dos dados analisados por empresas sem consentimento do cidadão, a companhia não escreveu qualquer linha no comunicado para a imprensa.

Ao CityLab, o presidente da Via Quatro,rald Zwetkoff, disse que tudo é parte de um projeto experimental e que já existem duas empresas que vão utilizar as telas para propaganda: a LG, gigante sul-coreana da tecnologia, e a companhia farmacêutica Hypera Pharma.

Na entrevista, Harald ainda comentou que as telas “não realizam identificação pessoal dos passageiros” e que “a tecnologia não grava, armazena imagens ou verifica os dados de indivíduos”.

 

 

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