A hegemonia continua e o problema não é só nível de futebol jogado

Por Stéphany Afonso

O Grêmio caiu, mas caiu de pé. Perdeu nos detalhes, mas ainda assim mostrou sua grandeza. Chegou ao torneio diante de um Real Madrid, clube potência do futebol mundial, sem favoritismo algum. Carregando sua força em competições mata-mata e toda maestria técnica comandada por Renato Gaúcho, o tricolor se fez gigante e não se intimidou.

Enquanto a maioria enaltece a garra gremista e comemora este feito, muito me incomoda um clube brasileiro ter de ”se fazer gigante” diante de hegemonias internacionais, como o time de Zidane. Uma vez que, tanto nossa seleção quanto nossas equipes, já foram alvo de tamanha veneração fora do país.

O futebol brasileiro não pode continuar sendo uma incerteza ou um acumulo de decisões jogadas nas mãos de técnicos e jogadores, para que decidam campeonatos e placares, como foi este ano com o Grêmio no Mundial de Clubes. O time de Porto Alegre ia como ”pequeno”, dependia apenas de sua comissão e peças dentro de campo, enquanto o esporte aqui tem se desenvolvido em meio a corrupção política de clubes. Se nada der certo, se o título não viver, o problema maquiado sempre se dá ao técnico e ao elenco, essa é a desculpa em todas as nossas competições para a falta de resultados. O problema não está apenas no nível superior de futebol jogado, há todo um porque dos europeus serem melhores na bola.

Quando, na verdade, no Brasil não há gestão profissional sólida e válida, não há continuidade de uma idéia, não há fidelização de craques e muito menos de revelações, até mesmo nossas jóias são mais valorizadas lá fora. O futebol parece nunca sair do papel. Somos grandes apenas dentro de nosso país, evoluímos apenas dentro de nossos limites. Comandantes sempre dão a mesma desculpa da ginga brasileira, quando na verdade, não existe planejamento algum nem para se dar continuidade a este ver. Nossas seleções depois de 2002 perdeu até mesmo o respeito por sua grandeza e história. Sempre fica por isso mesmo.

O interesse hoje já não é mais PAIXÃO. A essência do futebol brasileiro para alguns se tornou marketing/produto. O resultado disso é a nossa pequenez diante de clubes como o Real Madrid, a valentia nunca será o suficiente. ”Ah, mas são mais ricos!”, ok, de fato são. Mas a dúvida é: onde o Brasil parou para não ter se tornado potência? Hoje, após ter sediado a Copa, com a construção de Arenas e sócio torcedor avançado os clubes possuem mais receita e poder, tem tudo para reconquistar o seu lugar de respeito. Quem sabe assim, nos anos seguintes, equipes como o nosso querido tricolor gaúcho não dependam apenas da garra, luta e vontade.

Mas a pergunta que fica é: se não tivéssemos sido país sede, muito do que saiu do papel seria hoje realidade se não fosse pela Copa? Precisávamos mostrar uma grande estrutura pra ”inglês ver”, enquanto quase quatro anos depois da Copa sediada, continuamos pequenos em torneios disputados a nível mundial.

Espero que um dia, o respeito e a maestria conquistada por Friedenreich, Fausto, Domingos da Guia, Leônidas, Zizinho, Nilton Santos, Didi, Garrincha, Pelé, Rivelino, Tostão, Zico, Romário, Ronaldo entre outras lendas, não se torne apenas história. Que o respeito e a grandeza de nosso país resplandeça mais uma vez no futebol do mundo, dessa vez, pra ficar.

O Grêmio não conseguiu acabar com o planeta este ano, mas ainda há esperanças para o Brasil.