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Arthur Zanetti usa tecnologia contra estresse e para ajudar nos treinos

Um fone de ouvido que emite luzes atua no relaxamento e na qualidade do sono para o trabalho do dia seguinte, em tempos de preocupações do cotidiano aumentadas pela pandemia da COVID-19

O campeão olímpico Arthur Zanetti segue os seus treinamentos em São Caetano, com o técnico Marcos Goto e apoiado pelos profissionais de sua comissão multidisciplinar, visando a manter o foco para a disputa dos Jogos Olímpicos de Tóquio, adiada para 23 de julho a 8 de agosto de 2021. Arthur, dono de duas medalhas olímpicas nas argolas (ouro em Londres/2012 e prata no Rio/2016), experimenta uma nova tecnologia contra o estresse e para manter o relaxamento necessário para o descanso e o treino do dia seguinte, uma espécie de ‘meditação’ tecnológica. Arthur sempre deu grande valor a parte mental do treinamento.

“São muitas as pessoas comentando que está difícil dormir – a pandemia trouxe muitas mudanças e preocupações para a vida das pessoas. Coloco o fone por alguns minutos antes de dormir, já deitado e com os olhos fechados. O bom é a sensação de relaxar – melhorou a qualidade do meu sono. Sem isso, a gente que é atleta não consegue desenvolver o trabalho no próximo dia”, relatou Arthur. “Tem um aplicativo com músicas definidas, calmas, algumas palavras, bem relaxantes. Fecho os olhos, mas percebo o foco de luzes piscando.”

Arthur ainda não conhecia o fone BrainTap e não tinha visto ninguém usar na ginástica. O equipamento foi apresentado pela fisioterapeuta Maria Eugenia Ortiz, a Gegê, que atua na seleção brasileira de ginástica artística e com Arthur Zanetti. Gegê faz mestrado sobre dor na Unisul, em Florianópolis, Santa Catarina, no programa de pós-graduação em Ciências da Saúde (orientada pelo Doutor Daniel Martins). O fone está sendo estudado no Laboratório de Neurociência Experimental (Lanex) da Unisul. A própria psicóloga que trabalha com o campeão olímpico, Maria Cristina Miguel, deverá aplicar questionário para uma avaliação específica.

O equipamento foi cedido pelo Lanex e está sendo usado, de forma pioneira na ginástica, por Arthur Zanetti. Gegê explica que é baseado na áudio-fotobiomodulação – estimula ondas cerebrais, potencializa a atividade celular na presença da luz, um “combustível” para reações orgânicas. Funciona em cima do estresse e da ansiedade de treinamentos e competições e também dos problemas do dia a dia. As pessoas estão com mais dificuldades de se desligar e a ciência está preocupada com isso. “Estão surgindo novas terapias, inclusive manuais – eu mesma uso – para a modulação do sistema nervoso vegetativo”, afirma Gegê.

Explica que os treinadores e os profissionais integrantes de comissões disciplinares atuam para o bem-estar do indivíduo de forma global e estão usando a tecnologia, sempre em contato com as novidades.

O fone BrainTap é uma tecnologia americana protegida por direitos autorais e que segundo os fabricantes foi testada para criar a simetria perfeita de som, música e palavra falada para o máximo em treinamento e relaxamento de ondas cerebrais, fornecendo à mente e corpo benefícios da meditação. O equipamento fornece pulsos de luz suaves que viajam através da retina e meridianos do ouvido, enviando sinais diretos ao cérebro.

A luz pulsante, no padrão e intensidade corretos, produz um relaxamento profundo conhecido por afetar os níveis de serotonina e endorfina que podem acalmar e relaxar a mente, com efeitos na manutenção de uma perspectiva positiva e pensamento otimista.

Antes da pandemia da COVID-19, a rotina do ginasta campeão olímpico e mundial das argolas no ginásio do seu clube – a SERC/São Caetano – era de treinos duas vezes por dia, com os atletas da equipe e o treinador Marcos Goto, cerca de seis, sete horas por dia, de segunda e sexta, mais um período aos sábados. Mais os trabalhos com a psicóloga, nutricionista e fisioterapia e as viagens para campings do Time Brasil e competições de preparação.

Tudo mudou em março, quando a pandemia da COVID-19 foi declarada. Arthur estava em Baku, para a etapa da Copa do Mundo do Azerbaijão, e iria também para a competição seguinte do circuito da Federação Internacional de Ginástica (FIG), em Doha, no Catar, quando a temporada parou e ele retornou ao Brasil e já encontrou o ginásio fechado.

Passou a treinar em casa e de forma virtual com a seleção brasileira. Em julho e agosto participou da Missão Europa do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) – retornou ao Brasil para acompanhar o nascimento do primeiro filho, Liam, e voltou ao ginásio há um mês, em 21 de setembro. Treina com muita cautela e seguindo as regras da cidade de São Caetano do Sul. “Nós da comissão multidisciplinar também não paramos de trabalhar, mesmo que de modo virtual nos momentos de isolamento social”, acrescenta Gegê.

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