Até março Santo André reciclou mais de 430 mil toneladas de lixo, afirma Paulo Serra

Da Redação

 

O prefeito de Santo André, Paulo Serra, falou com exclusividade ao portal da TV+ ABC sobre a situação enfrentada atualmente pelo município quanto à reciclagem de lixo produzida, e ainda: programa Moeda Verde e a situação do aterro da cidade que está em vias de ter sua vida útil expirada. Confira na entrevista a seguir.

 

TV+ ABC – Atualmente, qual a quantidade de lixo produzida/coletada pelo Semasa?

Paulo Serra – Os caminhões de coleta do Semasa recolhem diariamente, em média, 685 toneladas de resíduos residenciais úmidos (650 ton), que seguem para o Aterro Sanitário de Santo André, e secos (35 ton), que são entregues para as cooperativas de triagem. Além disso, há resíduos especiais que são deixados nas estações de coleta pela população (pneus, móveis, madeiras, entulho, eletroeletrônicos, etc), que também recebem destinação adequada pelo Semasa. Em 2017, foram, ao todo, 332 mil toneladas de resíduos gerados em Santo André, considerando o coletado porta a porta e o deixado pela população nas estações de coleta. Mas só no porta a porta foram 232.600 toneladas em 2017.

 

 

TV+ ABC – O sr. diria que os programas “Moeda Verde” e “Livro Vivo” contribuíram para este aumento no número de materiais reciclados? Existe planos de ampliação para ambos projetos?

Paulo Serra – O projeto Moeda Verde, apesar de ser voltado para os núcleos habitacionais, repercute positivamente em toda cidade e acaba mostrando para a população que o programa de coleta seletiva de Santo André existe e funciona, levando os moradores a separarem melhor o lixo seco do úmido em casa. O mesmo vale para o Livro Vivo, que está principalmente nos parques da cidade e postos de atendimento do Semasa. Só ano passado foram 4.800 livros em bom estado recebidos nas Estações de Coleta e devolvidos para a população, que também passa a não descartar este tipo de publicação com o resíduo úmido. Ambos têm planos de ampliação, ainda a definir datas e locais.

 

TV+ ABC – À quais fatores credita o aumento significativo da coleta de recicláveis?

Paulo Serra – Em 2016, as duas cooperativas parceiras de Santo André triaram 172.220 toneladas de resíduos recicláveis por mês. Em 2017, foram 282.233 toneladas por mês, um aumento de 63%. Em 2018, nos três primeiros meses, já foram 432.114 toneladas triadas. Ou seja, em 2018, em apenas 3 meses, o volume de material que as cooperativas conseguiram aproveitar já superou em 53% o total de 2017. Se compararmos com 2016, foi um aumento de 151%. Os principais fatores foram: primeiramente a assinatura do contrato com as cooperativas, estabelecendo direitos e deveres entre as duas partes com base na Política Nacional de Resíduos Sólidos, sendo a principal novidade uma recompensa em dinheiro pelo desempenho – para cada tonelada de resíduo reciclável que deixa de ser aterrada a cooperativa recebe um bônus de R$ 45,12. Em segundo lugar, a implantação do segundo turno das cooperativas de triagem. E por último, mas não menos importante, a manutenção dos equipamentos e aquisição de mais maquinário para as cooperativas.

 

TV+ ABC – Quantos postos de coleta existem espalhados pela cidade? Pretendem aumentar? Em caso positivo, quando e quantos pontos serão acrescentados?

Paulo Serra – Atualmente são 20 estações de coleta de recicláveis espalhados por toda cidade, sendo duas inauguradas em 2017. Até o final de 2020 o objetivo é inaugurar outras seis chegando a 26 – atendendo ao Plano Regional de Gestão Integrada do ABC. A cidade ainda foi qualificada no Plano Avançar Cidades, do Ministério das Cidades, para a implantação de outras 20 estações também até 2020. Além das Estações de Coleta, o Semasa disponibiliza para a população mais de 100 PEVs (Postos de Entrega Voluntária) – sacos de ráfia desenvolvidos para receber resíduos secos da coleta seletiva, alocados em locais estratégicos, como parques, supermercados, escolas e outros estabelecimentos.

 

TV+ ABC – Santo André é atendido na integralidade, ou seja, 100%, pela coleta de lixo? Em caso negativo, cite os bairros ou regiões que ainda não são atendidos e o motivo.

Paulo Serra – 100% da cidade é atendida pela coleta de resíduos. Apenas os núcleos habitacionais não possuem a coleta de secos, e este é um dos motivos de o projeto Moeda Verde ter como foco estes locais.

 

TV+ ABC – Comente sobre as atividades da Central de Triagem de Resíduos Recicláveis.

Paulo Serra – A Central de Triagem de Resíduos Recicláveis opera dentro da área do Aterro Sanitário com as cooperativas Cidade Limpa e Coopcicla. Atualmente, são 150 cooperados, que trabalham em dois turnos.

 

TV+ ABC – Quantas pessoas estão envolvidas direta ou indiretamente no processo de coleta de lixo em Santo André, hoje?

Paulo Serra – Aproximadamente mil pessoas.

 

TV+ ABC – De que forma a população pode contribuir neste processo?

Paulo Serra – Separando em sacos diferentes os resíduos secos dos úmidos em casa e deixando na calçada para a coleta nos dias corretos. No site do Semasa há a informação dos dias e horários que os caminhões de coleta de secos e úmidos passam em cada bairro. A coleta de secos ocorre uma vez por semana e a de úmidos, três. Apenas no Centro há coleta diária. www.semasa.sp.gov.br

 

TV+ ABC – Atualmente qual material é coletado em maior quantidade (papel, metal, vidro, etc), em Santo André?

Paulo Serra – Na mistura dos resíduos úmidos, 34,7% são restos de alimentos, 11,4% resíduos higiênicos e 5,5% fraldas. Estes estão “ok” no lixo úmido. Mas junto ainda temos 18,6% de plásticos, 7,2% papelão e 7,1% de tecido, por exemplo.

 

TV+ ABC – Qual ponto pode melhorado na triagem dos materiais coletados?

Paulo Serra – Atualmente, 48% do lixo úmido que chega ao aterro de Santo André é passível de reciclagem, mas não é possível fazer a triagem porque este resíduo já está contaminado com material orgânico. No ano passado, isto significou 105 mil toneladas de resíduos secos, como plásticos, papelão e metal, aterrados sem necessidade. Nossa expectativa é melhorar a coleta seletiva e reduzir este índice de 48%, diminuindo assim a quantidade de resíduo seco aterrada.

 

TV+ ABC – O Aterro Sanitário de Santo André tem uma vida útil limitada. Comente a respeito. Paulo Serra – Já está na Cetesb um plano de ampliação do Aterro Sanitário, que garante uma vida útil de mais seis anos ao espaço.

 

TV+ ABC – Na sua opinião, qual a melhor forma de combater o aumento de descarte irregular nos chamados “pontos viciados”?

Paulo Serra – A fiscalização constante, ampliação do número de Estações de Coleta e ações como o Moeda Verde são importantes. Mas o principal é a conscientização da população sobre os prejuízos que os pontos viciados geram para a cidade e o meio ambiente.