A cada seis anos a petroquímica Braskem, que produz insumos para a confecção de plásticos e produtos de limpeza, por exemplo, realiza parada de manutenção em suas fábricas para promover revisão nos processos de segurança e implementar melhorias. A última vez em que isso ocorreu nas plantas de Santo André e Mauá foi em 2014 e, portanto, a seguinte deveria ter sido feita no ano passado, o que não aconteceu devido a pandemia. Hoje, no entanto, a medida será colocada em prática e deve se estender por 51 dias, ou seja, até o fim de maio.

Para executar o serviço foram contratadas 101 empresas, que recrutaram 4.500 trabalhadores. “Esses profissionais vão verificar os equipamentos internamente, realizar limpeza, manutenção e atualização tecnológica”, explica Alberto Amano, gerente responsável por projetos da regional São Paulo. A companhia vai investir R$ 436 milhões. Parte dos 4.000 funcionários estarão presentes para orientar os trabalhos.

Uma das principais ações da parada será a instalação de parte do projeto que promoverá, a partir de setembro, a autossuficiência da geração de energia, o que concederá à unidade do Polo Petroquímico do Grande ABC – pioneiro no País, e que que no ano que vem celebra 50 anos – 100% de autonomia e independência com relação ao fornecimento de eletricidade. A iniciativa, que custou R$ 600 milhões, prevê a troca de turbinas à base de vapor por motores elétricos de alto rendimento, suportados por nova unidade de cogeração de energia alimentada por gás residual do processo de produção petroquímica.

De acordo com o gerente, a mudança estrutural permitirá que o processo produtivo da fábrica se torne energeticamente mais eficiente, com redução de 76% no consumo de energia, equivalente ao abastecimento de Santo André e Mauá. “Com a cogeração combinada de energia elétrica e gás vamos consumir menos energia e emitir ainda menos gases de efeito estufa. A estimativa é redução de 11,4% no consumo de água e de 6,3% nas emissões de na unidade, o que reforça nosso compromisso de nos tornarmos uma empresa carbono neutro até 2050”, explica Amano.

TOCHA POLÊMICA

A torre com tocha na ponta de 110 metros de altura chamada de flare, é dispositivo que garante a queima de gases de forma segura em indústrias químicas, petroquímicas e refinarias, e quando está muito intensa, costuma clarear o céu, trazendo preocupação para população que mora no entorno.

Justamente para continuar mantendo os moradores seguros, conforme justifica Flávio Chantre, diretor de relações institucionais da Braskem, ela passará por limpeza e será desligada por 40 dias, enquanto não houver produção. Nos primeiros seis dias, porém, deve estar mais forte devido ao procedimento. O mesmo ocorrerá dias antes de ser religada. “O flare atinge temperatura de 800°C, para efeito de comparação, o fogão residencial atinge cerca de 200°C. E, ao ser resfriado, vai a -160°C, enquanto que o freezer de casa atinge -18°C. Quando isso acontece é emitida fumaça branca, totalmente inofensiva à população, pois se trata de vapor d’água que as torres de resfriamento sofrem durante a troca térmica”, esclarece.

Muitos parceiros comerciais da Braskem aproveitam o período para realizar manutenções também, mas, aos que continuam, operando, a petroquímica segue atendendo sem prejuízos, segundo Chantre, porque planejou aumento do estoque.

Para que a população do entorno não se assuste com a movimentação de caminhões e pessoas nas plantas de Santo André e Mauá, a Braskem distribuiu 30 mil exemplares com o aviso sobre a manutenção. “Temos o 0800-770-0108 disponível para sanar dúvidas, além do site www.braskem.com.br/manutencaoplanejada”, diz Chantre.

Deixe uma resposta