Chicão anuncia aposentadoria e revela sonho de trabalhar no Corinthians

Chicão com a taça da Recopa, sua 8ª e última pelo Timão (Fernando Dantas/Gazeta Press)
Chicão com a taça da Recopa, sua 8ª e última pelo Timão (Fernando Dantas/Gazeta Press)

Depois de 16 anos como atleta profissional, Chicão pendurou as chuteiras. O anúncio foi feito em entrevista exclusiva ao Blog, concedida nesta quarta-feira. Dono de oito títulos com a camisa do Corinthians, o zagueiro também levantou taças por Flamengo, Bahia e Figueirense. Com a camisa alvinegra, ainda marcou 42, tornando-se o segundo zagueiro que mais balançou as redes pelo Timão. Aos 35 anos, Chicão estava desempregado desde dezembro, quando deixou o Delhi Dynamos, da Índia. Seu projeto a partir de agora é continuar no futebol, de preferência como funcionário corintiano.

BLOG: Por que você decidiu parar?
CHICÃO: Já faz sete meses que estou em casa. Parei para pensar e que precisaria de um tempo para arrumar clube, depois mais um tempo para recuperar a forma… aí, já teria terminado o ano. E não quero que falem que vou roubar time nenhum.

Muitos que se aposentaram dizem que jogador de futebol morre duas vezes, a primeira quando para. Está preparado?
Esse período sem jogar foi importante para me preparar psicologicamente. Estou convencido de que chegou a hora. Estou com 35 anos de idade, sei que teria o risco de me lesionar se voltasse… Pensei muito antes de tomar a decisão e agora que ajudar fora de campo. Dá para contribuir muito em uma nova função.

Pensa em ser técnico?
Penso mais para frente. O que sei é que não me vejo fora do futebol. Não conseguirei fazer outra coisa. E hoje, por tudo o que vivi no Corinthians e pelo carinho que recebo dos torcedores nas redes sociais, tenho vontade de trabalhar no clube. Poderia ser como coordenador técnico, auxiliar, seja no profissional ou na base.

Alguém do Corinthians já cogitou essa possibilidade?
Sou muito amigo do Alessandro. Vivemos toda a transformação do Corinthians rebaixado no Brasileirão de 2007 para o time campeão mundial de 2012. Mas nunca falamos sobre isso.

Como acha que poderia ser mais útil?
Outro dia, depois que o Pedro Henrique falhou no jogo contra o Atlético-MG, mandei uma mensagem para ele pelo Alessandro, falando para levantar a cabeça, porque o menino tem um futuro muito grande. Dias depois, o Pedro Henrique foi na imprensa para agradecer.

Trabalharia no Palmeiras?
O futebol é muito profissional, mas não sei se o Palmeiras aceitaria contratar alguém com a história que eu tenho no Corinthians. Outro dia, mesmo, fui ver um jogo do Corinthians na arena. E não dá para entrar no Allianz Parque.

Você ficou desempregado por oito meses, em 2004, antes de fechar com o América-SP. Imaginou que iria tão longe no futebol?
Para ser sincero, não. É difícil que um atleta tenha uma carreira vitoriosa como a que eu consegui. O único título que me faltou foi a Sul-Americana, que nunca disputei. Ganhei a inédita Libertadores com o Corinthians, fui campeão mundial, disputei cinco vezes a Copa do Brasil e fui à final em quatro…

Chegou a ser rebaixado alguma vez?
Nunca, graças a Deus. E ganhei oito títulos no Corinthians, dois no Flamengo, um no Bahia, outro no Figueirense… Sem contar os dois vice-campeonatos na Copa do Brasil, um na Copa do Nordeste, um no Paulista… Ainda consegui acesso com o Mogi Mirim para a Série B.

Arrepende-se de algo que fez ao longo dos 16 anos de carreira?
Se eu pudesse voltar no tempo, teria ida ao estádio naquele episódio com o Tite, em 2011. O Corinthians tinha perdido para o Santos no domingo, a Gaviões foi fazer uma reunião com os jogadores na segunda e terça o Tite me tirou do time. Aí, eu deixei a concentração. Teria feito tudo de novo, mas iria ao estádio.

Pensou em deixar o Corinthians depois desse episódio?
Virei a quarta opção do Tite para a zaga e me perguntavam se eu sairia, mas preferi ficar e recuperei a posição no segundo jogo do ano de 2012. O Paulo André acabou se machucando e o Wallace sentiu o joelho. Logo na volta, marquei um gol (na vitória por 2 a 0 sobre o Guaratinguetá).

Por falar em gols, você marcou 42 pelo Timão. Qual foi o mais importante?
Difícil escolher um só: fiz um na final do Paulistão de 2009, mas ele acabou sendo ofuscado por aquele golaço do Ronaldo. Também marquei um decisivo na semifinal da Copa do Brasil contra o Botafogo, fiz o gol do acesso contra o Ceará e o do título da Série B contra o Criciúma. Tudo em 2008.

O Corinthians foi o clube que mais marcou?
Com certeza. Tanto que me chamam na rua de “Chicão do Corinthians”. Mesmo tendo jogado e conquistado títulos no Flamengo, me encontrei mesmo no Corinthians.

Você se aposenta em qual condição financeira?
Nunca fui de esbanjar, gastar na noite, fazer festa… Vi muitos exemplos de jogadores do passado que pararam com problemas financeiros, então, contei com a ajuda da família e sempre tive claro que dinheiro não era só para comprar carro.