Um cacto com transmissão 4G e 5G na área de Scottsdale, Arizona, construído pela Valmont Industries Foto: Valmont Industries

Durante anos, cactos artificiais ocuparam as margens das estradas arenosas de North Scottsdale, estado do Arizona, EUA. Eles parecem reais à primeira vista, mas guardam escondidos em seu interior antenas e equipamentos de rádio que fornecem conectividade 4G LTE sem fio para a área. Grandes estruturas de ocultação como esta, que neste caso têm pouco mais de sete metros de altura, tornaram-se tão boas que às vezes é difícil distinguir os cactos verdadeiros dos falsos.

Nos Estados Unidos, torres desajeitadas de células 4G costumam ser “disfarçadas” com folhagens que são comuns naquela determinada região. Sempre-vivas ficam por cima de estruturas no nordeste do país. No sul, elas são decoradas para se parecerem com palmeiras. No oeste, com cactos. Em alguns casos, o equipamento é colocado em torres de sinos de igrejas, placas de praça da cidade e ao lado de marcos históricos. Em regiões rurais, caixas d’água habilitadas para 4G são configuradas como suportes para dar a impressão de que fazem parte da paisagem.

Mas com o lançamento do 5G, a próxima geração de velocidade sem fio, cidades como Scottsdale dependerão menos de disfarces elaborados e mais de uma peça de arquitetura que tem sido um pilar em ambientes urbanos e suburbanos por mais de um século: os postes de luz.

A nova tecnologia não dá asas à imaginação (como esconder o equipamento em uma planta falsa), mas já vem sendo implantada em todo o mundo. Os sinais de rádio 5G para pequenas células operam em uma frequência de onda milimétrica mais alta do que o 4G, tornando-os mais facilmente bloqueados por objetos, como luminárias de madeira ou folhas, e certos materiais. Assim, as instalações devem ser configuradas a cada cem metros – e essa distância diminuirá ainda mais à medida que tecnologias que precisam de dados, como carros autônomos, chegarem às estradas. Eles também precisam estar próximos ao nível da rua para as pessoas acessarem os sinais e as antenas, em sua maioria, devem permanecer expostas.

Em resumo: não dá para colocar o 5G em uma caixa bonita. A tecnologia precisa estar exposta – nas ruas comerciais e residenciais e, de fato, em todos os lugares.

Um cacto com transmissão 4G e 5G na área de Scottsdale, Arizona
Foto: Valmont Industries

Com velocidades quase 30 vezes mais rápidas do que o 4G nos Estados Unidos, o 5G deve lidar com muito mais tráfego de internet e largura de banda com latência zero, permitindo tempos de resposta imediatos para transferências de dados. O 4G conseguiu viabilizar serviços como FaceTime ou Uber, mas o 5G pretende fazer ainda mais, como ajudar carros autônomos, processar todas as informações necessárias para tomar decisões de vida ou morte em um piscar de olhos ou permitir cirurgias robóticas. Mas, a curto prazo, a implantação 5G apresenta uma oportunidade para as empresas que ocultam a tecnologia.

As operadoras sem fio na área metropolitana de Phoenix, incluindo Scottsdale, estão trabalhando com a Valmont Industries, uma das maiores empresas de ocultação do mundo e a fabricante da torre camuflada em um pinheiro há quase 30 anos no mercado de Denver, Colorado. A empresa é especializada em garantir que as cores, designs e uso das torres se ajustem aos bairros. Em San Antonio, Texas, a Valmont acaba de concluir um projeto semelhante, trocando seus postes clássicos canelados com braços inclinados por outros com um estilo semelhante, mas uma base mais forte e aço mais espesso para suportar o equipamento 5G.

Verizon (VZ), T-Mobile (TMUS) e AT&T (T), proprietária da WarnerMedia, empresa controladora da CNN, são gastando bilhões de dólares em 5G. Espera-se que as novas redes e tecnologias associadas adicionem US$ 17 trilhões (cerca de R$ 96 trilhões) ao crescimento econômico global até 2035, de acordo com a ABI Research, uma empresa do mercado de tecnologia. As operadoras continuam a implantar suas redes nos EUA, apesar das interrupções causadas pela pandemia de Covid-19. As dificuldades incluem a solução de problemas de engenharia e instalação de novos locais de celular com trabalhadores fazendo distanciamento social e o fechamento de departamentos de licenciamento das prefeituras no início do surto. No entanto, empresas de tecnologia como a Cisco afirmam que a pandemia destaca a necessidade de conexões 5G de alta velocidade e alta largura de banda.

Substituir as luzes de rua mais antigas por outras com capacidade 5G para apoiar esse crescimento pode soar como um processo relativamente menor, mas será um grande passo para muitas comunidades se tornarem cidades inteligentes.

De acordo com Dean Tan, analista da ABI Research, o acesso dos postes de luz a uma fonte de alimentação os tornará “parte integrante de qualquer projeto de cidade inteligente”. Eles podem funcionar como estações de carregamento elétrico, instalações de câmeras de segurança ou apresentarem telas de LED para publicidade. O governo japonês vem experimentando isso em Tóquio, onde os postes inteligentes têm wi-fi aberto ao público, câmeras, fornecem atualizações do trânsito em tempo real para ajudar a gestão local do tráfego da cidade e têm anúncios digitais e painéis informativos.

Tan disse que há uma “oportunidade de crescimento” para as empresas de ocultação, pois elas desempenham um grande papel na implantação global do 5G. “Outras opções potenciais [além dos postes inteligentes] incluem displays de pontos de ônibus, tampas de bueiros e até semáforos”, exemplificou. No entanto, os postes de luz são ideais porque têm elevação e já contam com uma fonte de energia.

Alguns grupos no Reino Unido vandalizaram postes de rua 5G, derrubando-os ou incendiando-os, com medos infundados sobre riscos à saúde e teorias da conspiração ligando o 5G à Covid-19.

Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês

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