A contaminação de crianças até 12 anos por Covid-19, no Grande ABC, quadriplicou ao longo da pandemia. De 15 de março de 2020 – data em que foi confirmado o primeiro caso na região – até 10 de junho, havia 169 crianças infectadas, média de duas por dia. Entre 11 de junho de 2020 e 11 de março de 2021 foram registradas 2.586 contaminações, passando para nove a média diária – veja números por cidade na arte abaixo.

Até o dia 11 de março, ao menos 42 crianças estavam internadas em centros hospitalares na região, sendo que, em São Bernardo, a situação se agravou nos últimos dias. “Temos hoje (ontem) oito bebês entre 1 e 9 meses, entubados, no pronto-socorro”, detalhou o secretário de Saúde da cidade, Geraldo Reple. “Não amortizem essa informação”, pediu o prefeito Orlando Morando (PSDB).

Entre as administrações que contam com leitos infantis para tratamento da doença, nenhuma relatou ter atingido a capacidade máxima. Na rede privada, no entanto, hospitais como o Christóvão da Gama, em Santo André, não dispunham mais de leitos no dia 12. Os casos entre crianças representam cerca de 2% de todas as pessoas contaminadas na região.

Endocrinologista pediátrica e com atuação na linha de frente da Covid-19 em Santana do Parnaíba, na Região Metropolitana de São Paulo, Valéria Goulart explica que o aumento está relacionado à nova variante do coronavírus identificada como P1. “Alguns trabalhos mostram que é muito mais transmissível e está contaminando muito mais pessoas. Na prática, a gente está vendo número maior de internações de crianças”, pontuou. “Pode ter uma relação com a volta às aulas, mas são dados que precisam ser analisados”, completou.

Valéria destaca que não existem ainda evidências de que os subtipos do vírus possam causar manifestações mais graves da doença, seja em crianças ou adultos, mas que o subtipo identificado na Inglaterra se mostrou mais presente entre pacientes até 12 anos.

A médica lembrou que a síndrome inflamatória multisistêmica, que tem ocasionado morte de crianças contaminadas pela Covid-19, deve servir de alerta para os pais. “Embora sejam casos raros, pode acontecer e é preciso estar atentos. Dores de cabeça, falta de ar, às vezes até uma conjuntivite pode ser um sintoma e o médico deve ser procurado”, finalizou.

Neurologista e neurocirurgião da Rede D’Or e do Hospital Israelita Albert Einstein, Wanderley Cerqueira de Lima explicou que a missão do vírus é se replicar, e que no caso do vírus da Covid-19, essa multiplicação pode ocorrer com defeitos, gerando subtipos. “Quanto mais pessoas se contaminarem, maior a possibilidade de surgirem novos subtipos”, reforçou. O médico também explicou que, pela variante ser mais transmissível, uma pessoa contaminada com um dos subtipos do novo coronavírus vai eliminar na tosse, na saliva, uma quantidade maior de carga viral e, por isso, mais pessoas poderão ser contaminadas.

DGABC

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