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Diadema volta atrás e garante o transporte de cadeirantes


A Prefeitura de Diadema voltou atrás da decisão de cortar o serviço de transporte para cadeirantes, problema denunciado pelo Diário em 26 de julho, e anunciou na manhã de ontem o restabelecimento do serviço. Em reunião realizada no Paço Municipal com representantes das secretarias de Saúde, Assuntos Jurídicos e Assistência Social, vereadores e munícipes, o governo se comprometeu a normalizar a situação, alvo de reclamações dos munícipes no último mês.

Os familiares dos beneficiários protestaram na Câmara Municipal na última quinta-feira, ocasião que gerou a reunião de ontem. O secretário de Assuntos Jurídicos de Diadema, Fernando Machado, afirmou que não houve redução nos atendimentos e que os problemas foram causados pela transição entre um contrato emergencial e outro licitado, ambos com a mesma empresa, a Hiplan Construções e Serviços de Manutenção Urbana Ltda. “Houve aumento nos gastos. O contrato era de 2011 e gastávamos R$ 491 mil. Com a nova licitação, o valor total passou para R$ 751 mil e precisamos fazer alguns ajustes”, justificou.

Segundo o gestor, o valor é referente ao serviço de transporte – e em alguns casos, de motorista – para todas as secretarias do governo. “Nessa transição é que tivemos alguns problemas, precisamos remanejar veículos, mas nesta semana já estará tudo normalizado”, garantiu. Serão priorizados os veículos que atendem às pastas de Saúde e Educação. Para as outras áreas, segundo ele, serão destinados automóveis próprios, como os 21 doados neste ano pela Câmara Municipal.

O secretário adjunto de Saúde, Flavius Albieri, explicou que são atendidos 400 moradores e realizadas 6.390 viagens entre ida e volta (nos serviços de saúde e educação na cidade, em outros municípios do Grande ABC e em São Paulo) a cada mês. “Toda a logística é feita analisando caso a caso e estamos empenhados em atender a todos”, afirmou.

A versão dos beneficiários, no entanto, é diferente. A dona de casa Arlete Jurema de Oliveira, 49 anos, esteve em reunião na Secretaria de Saúde no fim de julho, quando foi informada que 40% do serviço seria cortado. “A previsão era a de que pelo menos 100 pessoas fossem excluídas”, afirmou. Arlete é avó da pequena Kimberly, 5, que usa cadeira especial adaptada e cinco vezes por semana precisa do serviço de transporte para consultas, tratamentos e para ir à escola. “Verbalmente é tudo bonito, mas agora vamos ver na prática”, pontuou.

O vigilante aposentado Marcio José da Silva, 38, também participou da reunião e não saiu muito animado. Usuário do serviço desde 2010, Silva teve as duas pernas amputadas e sofre com problemas cardíacos. Segundo ele, por morar em uma rua íngreme, os carros adaptados não podem atendê-lo, pois não há estabilidade para uso da rampa.“Sempre dependi do motorista para me ajudar a subir na van. Quando eles não querem ou não podem, tenho que me esforçar e subir sozinho”, explicou. “É um serviço que funciona, mas que precisa ser melhorado”, concluiu.

A pequena Thauany, 9, do Jardim União, depende do transporte municipal gratuito para realizar sessões de fisioterapia no Centro da cidade duas vezes por semana e, uma vez por semana, tratamento na AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente). “A gente tem que brigar sempre”, observou a mãe da garota, a dona de casa Maria Josiane Ferreira, 38.

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