Dólar fecha em alta após dia de oscilação

O dólar fechou em alta nesta terça-feira (19), em dia de oscilação da moeda no mercado brasileiro enquanto nos mercados mundiais,predominava a aversão ao risco por causa do aquecimento das tensões comerciais entre Estados Unidos e China após nova ameaça de mais tarifas comerciais pelo presidente norte-americano, Donald Trump, e retaliação de Pequim, destaca a Reuters.

A moeda norte americana subiu 0,2%, a 3,7474 na venda. Já o dólar turismo era vendido perto de R$ 3,90, sem considerar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

“Passou a histeria. Mercado sabe que o BC está atuando, deu uma acomodada”, comentou à Reuters o operador da corretora Spinelli José Carlos Amado.

Tensão comercial

A bolsa de Xangai despencou quase 4% nesta terça-feira, para a mínima em dois anos, diante da iminência de uma guerra comercial entre Estados Unidos e China. O iuan também caiu para o menor nível em mais de cinco meses em relação ao dólar, segundo a Reuters.

O presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou impor novas tarifas de 10% sobre US$ 200 bilhões em bens chineses e Pequim alertou que irá retaliar com medidas “quantitativas” e “qualitativas”, em um rápido agravamento do conflito comercial entre as duas maiores economias do mundo.

Na sexta-feira (15), os EUA já haviam anunciado tarifas de 25% sobre US$ 50 bilhões de importações chinesas, e prometido ainda mais taxas caso a China revidasse, o que aconteceu. Pequim anunciou tarifa adicional de 25% sobre 659 produtos dos Estados Unidos avaliados em US$ 50 bilhões.

Os riscos de uma guerra comercial desenham um pano de fundo mais adverso para ativos de risco. O aumento do protecionismo das duas maiores economias do mundo aumenta preocupações sobre o crescimento global num momento que alguns dos principais bancos centrais reduzem a liquidez, trazendo uma perspectiva mais dura para emergentes, segundo a Reuters.

Incerteza política

No Brasil, a alta da moeda também é influenciada pela cena política. Os investidores temem a vitória algum candidato considerado menos comprometido com o ajuste fiscal e as reformas nas eleições de outubro, ainda de acordo com a Reuters.

O mercado também opera sob a expectativa de atuação do Banco Central por meio de swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares.

Nesta sessão, o BC ainda não anunciou qualquer intervenção excepcional. Fez apenas o leilão de swap para rolagem, no qual vendeu integralmente a oferta de até 8.800 contratos, já rolando US$ 5,720 bilhões do total de US$ 8,762 bilhões que vencem no mês que vem. Se mantiver e vender esse volume até o final do mês, fará rolagem integral.

Para conter a volatilidade no câmbio, o BC anunciou na semana passada que vai ofertar nesta semana US$ 10 bilhões desse tipo de contrato, que equivale à venda futura de dólares.

Na véspera, fez apenas um leilão de novos contratos de swap cambial, com 20 mil contratos, injetando US$ 1 bilhão no sistema.

Fonte: g1