O governo de São Paulo, sob comando de João Doria (PSDB), decidiu fechar a unidade do IML (Instituto Médico-Legal) de Diadema e transferir os serviços para São Bernardo. Oficialmente, a medida foi atribuída à “otimização” de recursos financeiros. O procedimento se daria também sob justificativa extraoficial de compromisso pela ampliação do equipamento estabelecido na cidade vizinha.

A remoção do IML de Diadema foi comunicada pela superintendência da Polícia Técnico-Científica ainda no mês passado e pegou o governo do prefeito José de Filippi Júnior (PT) de surpresa, uma vez que a unidade funciona há décadas em prédio público cedido pela Prefeitura – o posto está instalado dentro do cemitério municipal da cidade, na região central. A pressão imposta pela piora da pandemia de Covid-19 também é fator que deixou o Paço em alerta.

A fim de evitar a dependência de Diadema à prestação dos serviços em São Bernardo, o governo Filippi corre para convencer o Palácio dos Bandeirantes a abortar a decisão. Em ofício encaminhado à superintendência do setor responsável pelos IMLs, a administração petista se compromete a promover reforma emergencial do espaço em até dois meses e a “procurar local adequado para nova instalação do IML”. No documento, assinado pelos secretários Benedito Mariano (Defesa Social) e Dheison Renan (Chefia de Gabinete), o Paço diademense explicita falhas no vínculo com o setor ao prometer encaminhar à Câmara projeto que formalizaria convênio entre o município e o Estado.

“A Prefeitura de Diadema recebeu com surpresa a transferência do posto do IML de Diadema para São Bernardo e ressalta que é contra essa decisão unilateral do governo estadual, porque vai prejudicar e dificultar o acesso da população de Diadema a este importante serviço. O governo municipal destaca que assumiu a gestão da cidade visando ampliar e melhorar os serviços públicos prestados aos diademenses, por isso, no que depender desta administração, o IML Diadema não será fechado”, frisou o Paço, por meio de nota.

O Diário questionou a Secretaria Estadual de Segurança Pública sobre os motivos da transferência dos serviços em Diadema para São Bernardo. A pasta se limitou a informar que “as mudanças visam otimizar recursos e agilizar os procedimentos”, sem detalhar os custos da operação do equipamento na cidade. “A unidade realiza, diariamente, em média, quatro exames de lesão corporal e uma necrópsia”, informou o setor.

A demanda de serviços descrita pela SSP contrasta com o cenário que beira o colapso do serviço funerário municipal em meio à pandemia de Covid. Em janeiro, o Diário revelou que o cemitério municipal de Diadema contava apenas com 20 vagas para sepultamento. Em 2020, a cidade registrou 2.213 mortes totais, o que representa média de seis óbitos por dia.

Há duas unidades do IML em São Bernardo, sendo que cada uma delas realiza um serviço diferente (necrotério e corpo de delito). O primeiro é prestado em anexo do Cemitério da Vila Euclides, a cerca de dez quilômetros do posto em Diadema. Já o segundo está localizado no bairro Ferrazópolis, a 15 quilômetros. Os dois equipamentos também atendem a São Caetano. Com a concretização da medida, apenas Santo André e São Bernardo sediarão unidades.

Fonte: DGABC

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