Facebook troca informação de usuários com instituições bancárias nos EUA

Sopram ventos fortes para o Facebook, que ainda não se recompôs do golpe sofrido com o desabamento de suas ações ao anunciar um resultado financeiro inferior ao esperado. O gigante fundado por Mark Zuckerberg volta a situar-se no olho do furacão com outra polêmica relacionada à privacidade dos dados de seus usuários: segundo um artigo do The Wall Street Journal, o Facebook pediu a instituições bancárias dos Estados Unidos dados de seus clientes em troca de oferecer-lhes os de seus usuários, uma novidade em termos de privacidade que acionou os alarmes dos mais preocupados com a proteção de seus dados.

O jornal revela que a rede social teria proposto às instituições financeiras dos Estados Unidos um intercâmbio de dados de seus respectivos clientes. Segundo a informação, o Facebook teria solicitado informações relativas às transações de seus clientes, para em troca permitir que os bancos aproveitem a plataforma Messenger para ampliar seu volume de negócios. A informação não poderia chegar em pior momento para o Facebook, não só pelos decepcionantes resultados antes mencionados, mas também porque a ferida aberta pelo escândalo da consultoria Cambridge Analytica —que vendeu dados de usuários do Facebook para fins eleitorais— ainda não cicatrizou.

Fontes do Facebook disseram ao EL PAÍS que a informação publicada pelo jornal norte-americano “não é verídica”, já que, conforme a empresa, “sugere-se de forma incorreta que estamos pedindo de ativamente os dados de transações às instituições financeiras”. Uma fonte da rede social afirmou que “assim como acontece com outras empresas”, o Facebook “busca alianças com bancos e emissores de cartões de crédito para oferecer serviços como gestão das contas ou atendimento ao cliente por chat”. Estas declarações confirmam, contudo, que há um intercâmbio de dados com os bancos: “Não usamos essa informação a não ser para oferecer esses serviços”, explica a fonte, descartando que os dados sejam vendidos a terceiros.

O Facebook, de todo modo, quer esclarecer que o intercâmbio dessas informações é “voluntário” e que com ela pretende, por exemplo, que as entidades financeiras possam atender a seus clientes através do Messenger, pois isso é “melhor que ficar esperando ao telefone”, segundo a fonte. Essa popular plataforma de troca de mensagens, aliás, também esteve na berlinda quando se soube que o Facebook escaneava de forma automática as conversas em busca de conteúdo ilegal (pornografia, vírus ou malware).

Fonte: El País