Fernando Prass: “meu sonho é jogar até o fim da carreira no Palmeiras”

Goleiro palmeirense tem contrato até dezembro de 2017, quando terá 39 anos
Goleiro palmeirense tem contrato até dezembro de 2017, quando terá 39 anos

Enquanto milhares de jogadores já estão aposentados com 38 anos de idade, Fernando Prass curte o auge de sua carreira. O goleiro, que fez aniversário no último sábado, é ídolo do torcedor palmeirense, vai ser titular da seleção brasileira na Olimpíada do Rio, deve reaparecer nas convocações de Tite… Mas os planos do capitão do time que lidera o Brasileirão vão muito além. Fernando Prass quer encerrar a carreira no Allianz Parque, planeja mais títulos no clube, pensa em ajudar a melhorar o futebol nacional… Nesta entrevista, ele também fala se há conflito em jogar pela CBF, entidade que já criticou, conta quem era seu ídolo na infância, relembra a pressão de substituir Marcos…

BLOG: Você bateu de frente com a CBF em muitos momentos, enquanto membro do Bom Senso. Existe algo estranho em servi-la agora?
FERNANDO PRASS: Estou defendendo o meu país, as Olimpíadas no meu país. O cara não é convocado para jogar na seleção brasileira pelos ideais que tem, mas por seu desempenho dentro de campo. Nenhum treinador pode montar uma seleção brasileira pensando em pegar os jogadores com a mesma opinião ou corrente teórica dele. Tem de pegar os jogadores que estiverem em melhor momento técnico.

Acha que o Bom Senso contribuiu para a melhora do futebol brasileiro?
Em algumas coisas, sim, como o Profut, que vai refinanciar as dívidas dos clubes. Junto do refinanciamento, os clubes têm de seguir algumas normas de gerência para começar a diminuir esse déficit.

E o calendário?
Esse assunto foi levantado por nós há três anos. O problema é que as pessoas só se lembram de reclamar do calendário quando o calo aperta. Quando, por exemplo, perde dois ou três jogadores por lesão ou quando algum jogador vai para a seleção.

O Palmeiras vai perder você e o Gabriel Jesus para a seleção na Olimpíada.
Mas já se sabe que vai haver Olimpíada no Brasil há não sei quantos anos, mas nunca se pensou nisso. Isso mostra um pouco da falta de planejamento. Só que a culpa é nossa: dos jogadores, dos diretores e dos treinadores também. Neste momento, já não tem mais o que ser feito. Precisamos seguir o baile.

O Palmeiras não é campeão brasileiro há 22 anos. O quanto esse jejum atrapalha?
Em time grande, a cobrança sempre vai existir, só muda o motivo. Se o Palmeiras tivesse sido campeão da Libertadores no ano passado, por exemplo, a pressão seria para ganhar de novo agora.

O último título do Palmeiras foi na Copa do Brasil do ano passado, com você brilhando nos pênaltis. O que passou pela sua cabeça enquanto caminhava para bater a sua penalidade?
Brinquei com os caras que tinha uma vantagem, porque a pior coisa é pegar a bola lá no meio do campo e caminhar até o pênalti. Eu já sai da lateral do campo, então, nem tive muito tempo para pensar. Aí, o Vanderlei falou que ficaria no meio e pensei: “Pode ficar onde for que eu vou te enfiar para dentro”. Só estava preocupado em não escorregar.

Pensa em se aposentar no Palmeiras?
Se eu puder escrever um roteiro, é obvio que meu sonho é jogar até o fim da carreira no Palmeiras. Não tenho motivo nenhum para sair e, com 38 anos, não ambiciono a Europa. Quero jogar em time grande e conquistar títulos, e tenho tudo isso aqui. Só que a gente sabe que o futebol é uma via de duas mãos: tem o interesse do clube e o interesse do jogador.

Qual a sensação de entrar para a história como o jogador brasileiro mais velho a disputar uma Olimpíada?
Para mim, é motivo de orgulho. Porque com 25, 27, 30 anos todo mundo chega à seleção, agora com 38 é difícil, né?

Você já havia sido olhado com desconfiança quando chegou ao Palmeiras?
Muitos criticaram, pois diziam que o Palmeiras estava trazendo um goleiro velho. Eu tinha 35 anos. Quando prorroguei o contrato, também falaram que não deviam renovar, porque eu já estava muito velho.

É um peso a mais ser titular do Palmeiras com 38 anos?
Sei que tenho de provar um pouquinho a mais do que o goleiro que é mais novo. Mas estou mostrando a cada dia que a idade é muito subjetiva. O que importa é o cara se despir de todo o preconceito e analisar dentro de campo. Não é simplesmente porque tenho 38 anos que devo ser alvo de preconceito.

Ainda sofre com o fantasma do Marcos, que se aposentou um ano antes da sua chegada?
Eu não vim para substituir o Marcos. Primeiro, porque ele já tinha parado, e depois porque não vim para o lugar dele. Vim ser goleiro do Palmeiras e sabia que construiria a minha história e ocuparia o meu lugar.

O quanto a experiência de substituir o Carlos Germano no Vasco o ajudou?
Ajudou muito, porque consegui entender como suportar a pressão. Cheguei para disputar a Série B em 2009 e o Carlos Germano, um dos maiores goleiros da história do Vasco, ainda era o treinador de goleiros. Era o mesmo que o goleiro ir jogar e aquecer com o Marcos.

Quem foi seu ídolo na infância?
O Taffarel é mais ou menos unânime entre os goleiros da minha geração. Embora jogasse no rival do meu time (Taffarel defendeu o Inter e Prass se formou na base do Grêmio), ele era uma referência e me inspirou.