Grande ABC retira 21 mil toneladas de entulho despejado em áreas irregulares

Levantamento feito pelo Diário mostra que, ao menos, 21 mil toneladas de lixo e entulho despejadas em locais irregulares foram recolhidas pelas prefeituras de Santo André e Mauá nos sete primeiros meses deste ano. Dados repassados pelos municípios apontam que 17.988 toneladas foram removidas em Santo André e outras 3.500 em Mauá. As demais cidades não informaram.

Sem qualquer controle desta ação irregular, se deparar com lixo e entulho espalhados pelas ruas e calçadas tem sido algo cada vez mais comum na vida de moradores da região. A problemática, aliás, é motivo de denúncias constantes dos munícipes, frequentemente mostradas pelo Diário. Nesta semana, a equipe de reportagem percorreu, mais uma vez, vias de quatro municípios do Grande ABC e constatou problemas em todas elas.

Em Santo André, a Avenida Prestes Maia, na Vila Palmares, é o exemplo mais claro da situação precária encontrada na região. O local, que concentra população flutuante de moradores de rua, vive cenário de entulho e lixo por quase toda sua extensão, em especial próximo ao prédio da FSA (Fundação Santo André).

Mesmo com monitoramento frequente da Prefeitura, o ponto segue sendo alvo fácil para descarte irregular. Somente no mês passado foram realizadas 11 retiradas de entulho, sendo removidas 31 caçambas de resíduos, o que corresponde a aproximadamente 62 toneladas. “É um lixão a céu aberto. Os moradores de rua vivem fechando calçadas com entulho”, desabafa a comerciante Marinalva de Souza, 41 anos.

Na comunidade do DER, em São Bernardo, o problema é similar. Lá, moradores utilizam a calçada da Rua Maria Adelaide como ponto de descarte de lixo e até mesmo móveis são vistos ali. Embora a Prefeitura diga que limpa a área duas vezes por semana, vizinhos relatam que o problema persiste. “Na realidade o entulho é o retrato da nossa sociedade, que não pensa no próximo”, afirma o comerciante Antônio Borges, 65.

Na Rua Washington Luiz, na Vila Magini, em Mauá, nem mesmo a presença de um córrego próximo à via é suficiente para impedir o descarte irregular. “Todo ano enfrentamos problema de enchente e o pessoal continua jogando na rua”, relata a dona de casa Maria de Lourdes Lopes, 40. A Prefeitura de Mauá promete implantar lixeira comunitária no local.

Em Diadema, por sua vez, o problema pode ser encontrado na Avenida Paranapanema, no bairro Campanário. No local, é possível achar madeiras e pneus facilmente. “Todo dia acordamos com lixo e ninguém faz nada”, reclama a comerciante Salete Aparecida, 57. A Prefeitura não retornou ao contato da reportagem até o fechamento desta edição.

Na avaliação de especialistas, além de mostrar falta de educação ambiental da população, o problema de descarte irregular indica danos ao meio ambiente. “Boa parte desse lixo vai parar nos nossos córregos”, avalia o ambientalista Virgílio Alcides de Farias. O especialista em Gestão Ambiental e Saúde Pública da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Rogério Aparecido Machado, também cita risco à vida. “Com materiais na calçada, as pessoas têm de caminhar pela rua, e o que era apenas sujeira, passa a ser atentado à vida”, disse.

Cidades destacam investimento em ecopontos como alternativa ao descarte
Na tentativa de coibir o aumento do número de pontos de descarte irregular no Grande ABC, municípios têm investido na ampliação de ecopontos. Em Santo André, para limpeza de pontos de acúmulo em várias regiões, como o localizado na Avenida Prestes Maia, o Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) gasta anualmente cerca de R$ 7 milhões. Até junho, a remoção de entulho em pontos irregulares da cidade totalizou 5.996 viagens, estimando o peso de três toneladas/viagem. Atualmente, há no município 20 estações de coleta. A Prefeitura de São Bernardo, por meio da Secretaria de Serviços Urbanos, informa que atualmente a cidade contabiliza 11 ecopontos em funcionamento. O contrato emergencial engloba diversos serviços de limpeza urbana, com gasto mensal de aproximadamente R$ 10 milhões.

O município destaca ainda que a GCM (Guarda Civil Municipal) pode ser acionada pela população quando flagrada a conduta de descarte irregular de lixo e entulho, por meio do telefone 153. Sendo flagrado pela agentes da guarda, o responsável será encaminhado para a Delegacia do Meio Ambiente e serão aplicadas as penalidades cabíveis. Mauá, por sua vez, ressalta que possui atualmente cinco ecopontos espalhados pela cidade.

Fonte: Diário do Grande ABC