Lula entrega recibos de aluguel com datas que não existem

Da redação

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou ao juiz Sérgio Moro o que seus advogados confirmam ser cópias de recibos de aluguel de um imóvel usado pela família dele em São Bernardo do Campo. De acordo com informações dos procuradores da Lava Jato, o apartamento pertence a Lula e foi dado a ele pela Odebrecht como pagamento de propina.

A defesa do ex-presidente entregou 26 recibos, com datas entre 2011 e 2015. Os valores dos alugueis estão entre R$ 3.500 a R$ 4.300. Esses recibos, segundos os advogados, são os localizados até agora.

No entanto, dois recibos apresentados pela defesa de Lula trazem datas que não existem no calendário. Em um deles, consta que a quitação era referente ao aluguel de vencimento no dia 31 de junho, e outro no dia 31 de novembro de 2015. Além disso, há erro na grafia da cidade em que o apartamento está localizado, escrita como “São Bernanrdo do Campo”.

Outro erro localizado nos recibos apresentados é o de que, embora o recibo trate do pagamento no dia 31 de junho, com pagamento no dia 05 de agosto, em outro comprovante de quitação com data de 07 de julho de 2015.

A defesa do ex-presidente diz que os erros constantes nos recibos não têm relevância para provar o valor dos documentos. Acrescenta ainda que o que fica demonstrado pelos documentos é a realização da quitação, diferente do que diz o MPF.

Lula responde ao processo que o acusa de ter recebido dinheiro da Odebrecht., Os comprovantes possuem o nome de Marisa Letícia Lula da Silva como locatária do imóvel e estão assinados por Glaucos da Costamarques, primo do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, como comprador do apartamento em 2010 e utilizador de dinheiro da Odebrecht para realizar a compra. O objetivo era entregar o apartamento a Lula, que alugava o imóvel desde que assumiu a Presidência da República, para abrigar seus seguranças pessoais

O MP (Ministério Público) afirma que Lula ganhou o apartamento vizinho ao que mora em São Bernardo como propina da Odebrecht por obras da Petrobras.

A Lava Jato diz que o contrato de aluguel foi forjado para esconder que o imóvel pertencia ao petista, que negou ser proprietário do apartamento e se comprometeu, durante interrogatório em setembro, a entregar comprovantes de pagamento do aluguel ao juiz Sério Moro.

Para os procuradores, Lula e Glaucos declararam o aluguel no IR (Imposto de Renda) para dar ar de legalidade à Operação. Afirmam que, ao conferirem as contas bancárias ligadas aos investigados, não havia movimentações que confirmassem o pagamento, até novembro de 2015.

Glaucos declarou que começou a receber o aluguel em novembro de 2015, mês que o pecuarista José Carlos Bumlai foi preso. A defesa de Glaucos Costamarques informou que vai analisar os documentos e afirma ele não fez nada de irregular.

O MPF (Ministério Público Federal) declarou que sua manifestação será apenas por meio dos autos.