Mantega vira réu por causa da Braskem

Na última segunda-feira (13), o juiz federal Sergio Moro aceitou denúncias contra o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e também contra outras nove pessoas. Porém Moro rejeitou a denúncia contra o ex-ministro Antonio Palocci.

“Ressalvo, segundo a denúncia, apesar de ele ter participado dos fatos (…), consta que teria sido Guido Mantega responsável específico pela solicitação e pela posterior utilização dos R$ 50 milhões”, escreveu Moro ao falar sobre Palocci.

Essa é a primeira vez que Mantega vira réu na Lava Jato. Os crimes apurados envolvem a edição das medidas provisórias 470 e 472 (MP da Crise), beneficiando diretamente empresas do grupo Odebrecht, entre estas a Braskem, de acordo com o MPF.

Segundo os procuradores, o objetivo da manobra era permitir que a Braskem pagasse tributos federais de forma parcelada, com valor de multa reduzido. Dessa forma, os denunciados vão responder pelos crimes de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

Investigação

Segundo a investigação, o empresário Marcelo Odebrecht teria oferecido propina aos ex-ministros com o objetivo de influenciá-los na edição das medidas provisórias.

O valor oferecido a Mantega foi de R$ 50 milhões. De acordo com os procuradores, o valor foi pago em conta específica mantida pelo setor de propinas de empreiteira, sob o comando de Fernando Migliaccio e Hilberto da Silva.

O valor, diz a denúncia, só era utilizado mediante a autorização de Guido Mantega, sendo que parcela desse valor foi entregue aos publicitários Mônica Santana e João Santana, além de André Santana, para serem usados na campanha eleitoral de 2014.

A denúncia tem como base provas fornecidas pelas empresas Odebrecht e Braskem, no contexto do cumprimento das condições previstas nos acordos de leniência firmados pelas empresas.

Pagamentos

A propina para Mantega foi lançada na planilha da Odebrecht nomeada “Planilha Italiano”, na subconta “Pós-Itália”, de acordo com a força-tarefa. Ainda conforme a denúncia, o dinheiro ilegal teve origem em ativos da Braskem, mantidos ilicitamente no exterior pelo Setor de Operações Estruturadas.

Por sua vez, os publicitários Mônica Santana e João Santana receberam R$ 15.150.000,00 a partir do setor de propinas mediante 26 entregas, em pagamentos que se deram tanto em espécie no Brasil quanto fora do território nacional, em contas mantidas em paraísos fiscais.

Fonte/Informações: G1