Na véspera da Sexta-Feira Santa, celebrada hoje, apesar do avanço da pandemia do novo coronavírus e da fase emergencial do Plano São Paulo, que estabelece regras mais restritivas à circulação de pessoas, supermercados, sacolões e peixarias da região estavam lotados. Caso dos estabelecimentos da Ceasa do Grande ABC, da Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André), que tinha longas filas para entrar e para pagar. No Nagumo da Vila Alzira, na mesma cidade, a fila era de carros antes mesmo de chegar ao estacionamento.

Além da aglomeração, o consumidor ainda teve de driblar outro fator para garantir o almoço de hoje: os preços nas alturas do tradicional bacalhau, cujo quilo gira em torno de R$ 75 a R$ 85, a exemplo da modalidade do Porto. Alternativa acessível para a data é a tilápia, que custa metade do valor, de R$ 35 a R$ 45.

Segundo o engenheiro agrônomo da Craisa, Fábio Vezzá De Benedetto, muita gente deve optar pela substituição, devido ao período de dificuldades econômicas trazidas pela Covid e pelo dólar nas alturas (R$ 5,70). “Há muitas opções de peixes frescos nacionais. Para substituir, por exemplo, há o filé de Saint Peter”, cita.

Mas ele pondera que, comparado ao preço da carne bovina, que é evitada na data, os peixes também estão mais caros. “Quaresma era uma época para recuo de preço de carne bovina (por causa da ração, de soja, que é commodity e cotada em dólar), o que não aconteceu. Pelo contrário. Subiu demais (preço médio do quilo de primeira está R$ 35). E, com isso, os peixes passaram a ser opção para o dia a dia (o que também elevou seus preços).”

QUASE 30% MAIS CARO

Conforme pesquisa da FGV Ibre (Instituto Brasileiro da Economia da Fundação Getulio Vargas) divulgada ontem, a cesta de Páscoa registrou aumento médio de 29,17%, em comparação com o ano passado, quando o avanço foi de 0,56%. A taxa está quase cinco vezes acima da inflação acumulada entre abril de 2020 e março deste ano pelo IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da FGV, de 5,74%.

O pescado fresco encareceu 10% neste período de um ano, o atum subiu 9,47% e a sardinha em conserva disparou 16,94%. Ao mesmo tempo, o bacalhau variou 7,28%. A alta menor se deve ao fato de, nos 12 meses encerrados em março de 2020, o peixe importado ter aumentado 13,35%, ou seja, já estava em um patamar elevado o que, com o dólar alto, o deixaria ainda mais caro.

Os itens que mais pressionaram a cesta de Páscoa foram os ingredientes do almoço da Sexta-Feira Santa: arroz (60,79%), cebola (50,90%), batata (27,82%), azeitonas (16,02%), azeite (12,62%) e ovos (12,05%). Porém, bombons e chocolates também pesaram mais no bolso (9,49%), assim como o vinho (6,48%).

DGABC

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