Muito mais que um técnico

Na última semana o assunto no futebol brasileiro foi a troca de técnicos na Seleção Brasileira. Sai Dunga, entra Tite. Mas será que só isso basta para uma revolução?
Nessa coluna nem vou me aprofundar nas questões administrativas da CBF, e se isso é uma questão fundamental para mudarmos os destinos do futebol nacional. Quero apenas me concentrar na questão técnica da Seleção Brasileira.
tite cbf (2)Não há dúvidas que Tite é muito mais preparado que o seu antecessor. Dunga nunca preencheu os requisitos básicos para comandar a nossa seleção. Não foi técnico de um clube por mais de 8 meses (no Internacional no ano de 2013) e só teve experiências na própria Seleção Nacional (de 2006 a 2010) e, agora, voltando novamente ao cargo, comandando a equipe de 2014 até esse mês.
Já o ex-técnico corintiano tem carreira consolidada desde seu início, em 1990, no modesto Guarany do Rio Grande do Sul. Além, é claro, de títulos e números expressivos ao longo de sua história.
Mas o que Tite terá como desafio é melhorar o fraco desempenho da equipe canarinho nas Eliminatórias Sul-Americanas e classificá-la para a Copa do Mundo de 2018. Tarefa simples? Jamais!
Terá que lidar com uma geração de jogadores mais voltados a serem celebridades que atletas de futebol. Boa parte deles nem vive em território nacional e, assim, parecem não estar envolvidos diretamente com o sentimento nacional, ou até mesmo com os objetivos e necessidades do nosso futebol.
Uma geração que não sabe enfrentar críticas e cobranças, pois muitas vezes nos dão o sentimento que estão acima das tradições da camisa verde-amarela.
Tite terá a dura missão de exigir envolvimento ao extremo. E cobrá-los. E não convocá-los, se essa for a melhor solução. A meta é chegar à Copa. Independente de chamar os “estrangeiros” ou não. O gaúcho deverá ser muito mais um gestor de pessoas que um estrategista em campo, o que, aliás, é especialista.
Que se faça uma reavaliação de conceitos em nossa Seleção e que só vistam essa camisa – que já teve Pelé e Zico vestindo a imortal camisa 10 – aqueles que realmente a respeitarem. E, mais que tudo, souberem entender que, ainda, a Seleção está acima de qualquer um deles.
Boa sorte Tite! A missão é sua!