Museu do Trabalho: SBC relembra um ano do escândalo

A cidade de São Bernardo foi palco, nesta quarta-feira (13), de um grande manifesto, liderado por um grupo de moradores, que relembrou um ano da maior operação policial no município: o projeto do Museu do Trabalho e do Trabalhador.
Exatamente no dia 13 de dezembro do ano passado, a Operação Hefesta – ação integrada da Procuradoria da República, Polícia Federal e Controladoria-Geral da União –, prendeu dois secretários do governo do prefeito Luiz Marinho (PT), além de outras seis pessoas, além de apontar suposto desvio, na época, de R$ 7,9 milhões no projeto idealizado por Marinho.
O grupo de manifestantes iniciou os protestos dentro da Câmara Municipal, durante a sessão ordinária, com faixas contra corrupção e aos envolvidos na denúncia. O ato perdurou por aproximadamente duas horas, de forma pacifica, sendo acompanhado de uma passeata até o local da obra inacabada, onde foi feito um abraço simbólico entre os participantes.
O autor da representação contra o contrato do Museu do Trabalho e do Trabalhador foi o munícipe Marcelo de Sá e Sarti, que esteve no ato hoje e utilizou a Tribuna Livre para relembrar todo o episódio.   
O projeto de construção do Museu do Trabalho foi iniciado em São Bernardo no ano de 2012, com a promessa de conclusão em janeiro de 2013, o local fica situado nas proximidades do prédio do Paço Municipal e por décadas abrigava o antigo Mercado Municipal. Ao longo deste período, a obra milionária foi abandonada. Além disso, a Construções e Incorporações CEI, vencedora da licitação, envolveu-se em série de escândalos, como manter um eletricista desempregado em seu quadro societário. Erisson Saroa Silva, segundo a Junta Comercial, possuía R$ 10,4 milhões em cotas da empresa. O projeto nunca foi finalizado e já gastou perto de R$ 20 milhões de verbas públicas.

Em dezembro do ano passado, o empreendimento foi alvo da Operação Hefesta, liderada da Polícia Federal (PF), MPF e Controladoria-Geral da União (CGU), culminando na prisão temporária de dois ex-secretários de São Bernardo. Neste ano, duas ações foram aceitas pela Justiça, uma aponta irregularidades na elaboração do projeto e outra no processo de licitação. O ex-prefeito Luiz Marinho é réu nos dois processos ao lado de mais pessoas. O MPF aponta que hoje os desvios podem chegar a R$ 24 milhões.
Ao assumir a Prefeitura em janeiro de 2017, o prefeito Orlando Morando (PSDB) solicitou modificação do projeto para Fábrica de Cultura, o que aceito em audiência pelo ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão. Ficou definido que a formalização se dará por meio de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre a Prefeitura, Ministério da Cultura e Ministério Público Federal (MPF).
Nesta semana, o juiz Márcio Martins de Oliveira, da 3ª Vara da Fazenda de São Bernardo, autorizou a Prefeitura a contratar empresa que vai fazer a análise de todo o cronograma a ser realizado para terminar a obra.
Fábrica de Cultura – As Fábricas de Cultura são espaços de acesso gratuito que disponibilizam diversas atividades artísticas. Criadas com o objetivo de ampliar o conhecimento cultural por meio da interação com a comunidade, as Fábricas oferecem uma programação cultural diversificada.