Capitão no Mundial, Alessandro fala das chances de título, sobre Pato, reforços, revela gratidão, conta seu time de infância…

Alessandro, coordenador técnico do Corinthians, durante a festa de lançamento do Campeonato Brasileiro 2016, organizada pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol), no Teatro WCT, em São Paulo.
Alessandro, coordenador técnico do Corinthians, durante a festa de lançamento do Campeonato Brasileiro 2016, organizada pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol), no Teatro WCT, em São Paulo.

Zé Roberto, Magno Alves, Fernando Prass, Magrão, Leandro Guerreiro… Mesmo mais novo do que toda essa turma, o ex-lateral-direito Alessandro já virou o homem mais importante do futebol do Corinthians. O paranaense de 37 anos é desde a metade de junho o gerente de futebol do Timão, no lugar de Edu Gaspar, que foi para a CBF.

Nesta entrevista exclusiva ao Blog, no dia de Corinthians x Flamengo, dois clubes que mais marcaram sua carreira profissional, Alessandro fala de seu novo cargo, diz ter orgulho da transformação alvinegra desde 2008, revela que torcia pelo Santos na infância, avalia a situação de Pato, a necessidade de contratar reforços, aponta os concorrentes ao título do Brasileirão…

BLOG: Você se aposentou antes de fazer 35 anos. Por quê?
ALESSANDRO: Para um lateral-direito, os quase 35 anos já estavam pesando. A cada nova temporada, aquele percurso de uma ponta a outra do campo ia aumentando. Sem contar que eu já havia ganhando tudo o que um jogador poderia querer com a camisa do Corinthians.

Chegou a cogitar jogar fora do Corinthians?
Eu só continuaria jogando se fosse no Corinthians. Seria impossível defender outro clube.

Como surgiu a ideia de virar dirigente?
O primeiro contato foi feito pelo Edu Gaspar, em nome do Mario Gobbi, do Roberto Andrade e do Andrés Sanchez, durante o Paulistão de 2013. A ideia era dar sequência dentro do clube, sem definir se na área técnica ou administrativa.

E como fecharam o acordo?
Eu fui amadurecendo a ideia, até que aceitei. Só falei que não queria ficar na comissão técnica. Foi engraçado, porque achei que teria uns três ou quatro meses de férias, quando o Edu me ligou falando que todo o time se apresentaria em janeiro e que estavam me esperando.

Como ficou seu dia a dia a partir de 2014?
Comecei a circular com o Edu por todas as partes do clube. Na base, no profissional… ia a todas as reuniões e situações em que ele estava. Eu não conhecia nada e passei o primeiro ano tateando.

Quando começa a tomar decisões para valer?
Foi no ano passado. Um belo dia, o Edu me mandou ir para uma reunião de prorrogação do contrato de um jogador e falou: “vai lá e resolve”. Não me lembro qual jogador, porque passei a fazer várias destas reuniões. Deixei tudo acertado, mas, antes de fechar, pedi a opinião do Edu.

O Corinthians é um dos maiores campeões recentes na base, apesar disso, foi o único clube no G4 do Brasileiro que não teve jogador convocado para a Olimpíada. Por quê?
É uma questão de escolha do treinador, que a gente aceita. O que eu posso dizer é que nossa geração que estava no sub-17 e agora passou para a sub-20 tem um grande potencial.

Não acha que poucos jogadores da base têm jogado frequentemente no time principal do Corinthians?
Já tivemos o Malcom, agora contamos com Arana, Maicon, Pedro Henrique… Agora, ser titular depende muito do jogador.

E como surgiu o convite para você virar gerente, no lugar do Edu Gaspar?
Nem houve negociação. Assim que o Tite e o Edu foram para a CBF, o presidente Roberto reuniu todo mundo e comunicou que eu estava assumindo a gerência. Na mesma hora, já tive de achar o Fábio Carrile para dizer que ele tinha de voltar correndo, para ser o técnico no dia seguinte. O Fábio estava em um curso na Granja Comary.

O que dá mais trabalho: a vida de jogador ou dirigente?
Quando eu jogava, passa duas ou três horas por dia no clube. Hoje, quando o treino é às 15h30, chego às 9h da manhã e não vou embora antes das 19h. É meu jeito: me envolvo muito nas coisas que faço, então, a rotina hoje é bem mais pesada.

Quando você jogava, lamentava a distância da sua filha, Ana Clara, que mora no Rio. Consegue vê-la mais agora ou antes?
Via muito mais quando era jogador, por incrível que possa parecer. Para piorar, como a maioria dos jogos dos times do Rio não acontece mais lá, tenho perdido chances de vê-la.

O Corinthians foi o clube com o qual você mais se identificou?
Sem sombra de dúvida. Vou lembrar e agradecer para sempre o Corinthians e o Flamengo. Foi o Flamengo quem me deu a primeira oportunidade, que me formou como atleta e homem. Depois, rodei bastante, por Palmeiras, Cruzeiro, Santos, Grêmio, Ucrânia… Aí, cheguei ao Corinthians em seu pior momento da história e conquistei tudo.

Qual o Corinthians x Flamengo inesquecível para você?
Ih, depois de um dia inteiro de trabalho, fica mais difícil lembrar (a entrevista foi no fim da tarde da última sexta). Já estou ruim de memória. Teve uma vez que, pelo Flamengo, fiz gol no Corinthians, no Pacaembu (o jogo acabou em 4 a 3 para o Corinthians, pelo Brasileirão de 2001). Nunca marquei gol no Flamengo.

Você era rubro-negro na infância?
Não, sou paranaense de Assis Chateaubriand, e cresci torcendo pelo Santos, por influência do meu pai. Aí, virei atleta profissional e deixei de ter time do coração.

Ainda tem amigos no Flamengo?
Eu me formei na base do Flamengo com o Juan, que voltou agora. Também conheço quase todos os funcionários.

Qual a sensação de ter participado da transformação de um clube de Série B para campeão mundial?
É um sentimento de felicidade e orgulho. Jogar no Corinthians é viver sob enorme pressão. Quem viveu tudo isso tem de ser muito grato.

Por que você só jogou em altíssimo nível no Corinthians?
Tem uma série de coisas, como a maturidade, o fato de o elenco ter se encaixado… os títulos também trazem confiança. Conseguimos realizar o sonho de ganhar a inédita Libertadores. Aquilo foi uma grande glória para todos.

Apesar do pouco tempo na nova função, você já teve proposta do Flamengo, um mês atrás. Por que não foi?
A ideia do Flamengo era que eu seguisse na área de integração do amador com o profissional, algo que eu já fazia aqui. E tudo funciona muito bem no Corinthians. Eu nem imaginava que poderia me tornar um gerente naquela época, mas estava muito feliz aqui.

Você é a favor ou contra a permanência do Pato?
É uma pergunta muito direta, né? Não sou contra, mas, para ficar a favor, depende de uma conversa com o jogador. Vai depender muito da conversa que teremos com ele na terça-feira. Precisamos ver o que o Pato quer para a carreira dele.

O Corinthians tem sofrido para achar um centroavante. Não dá para busca-lo na América do Sul?
Eu acho que precisamos de paciência para analisar o nosso mercado, de Série A e Série B. Acredito muito no futebol brasileiro, é uma questão de saber peneirar bem.

O atual elenco está pronto para ser campeão?
Era o que eu desejava, mas, pelo tamanho da competição, que só termina em dezembro, é cedo. O que tem preocupado é o excesso de atletas no departamento médico, o que causa um prejuízo grande. Queremos ser campeões.

Chegarão reforços?
Estamos atentos a situações que sejam importantes para somar a um elenco que já é qualificado.

Quem vai brigar com o Corinthians pelo título?
Tem grandes camisas, que sempre pesam, na parte de cima. Além do Corinthians, Flamengo, São Paulo, Palmeiras, que vem muito bem… Também não dá para ignorar Grêmio e Inter.