Foto: KEVIN DAVID / A7 / PRESS ESTADÃO

O prefeito Eduardo Paes disse nesta sexta-feira (19) que vai “aumentar bastante as restrições na cidade na semana que vem” e pediu que se retomem “as redes de solidariedade” observadas no início da pandemia.

Segundo o prefeito, “o avançar da epidemia está nos deixando em uma situação mais difícil”.

“Ou nós temos consciência daquilo que nós estamos vivendo e respeitamos as vidas, ou nós vamos viver uma situação inadministrável nos próximos dias. Eu faço este apelo à população carioca. É uma medida dura, difícil. Sabemos das dificuldades econômicas”, disse.

Paes fez a ressalva de que a praia “tem menos transmissão que os locais fechados”. “Mas ele é muito simbólico no Rio de Janeiro. Há aqui um esforço de chamar a consciência neste momento”, explicou.

O prefeito disse que novas medidas serão tomadas na semana que vem, como a antecipação de feriados, mas pontuou que antes de anunciá-las vai falar com demais prefeitos do Grande Rio para o que chama de “solidariedade metropolitana”.

“Este é uma questão nacional. Vocês não ouvirão de mim qualquer tipo de agressão, de fanfarronice e qualquer pedido mais assertivo. Mas este é o momento de solidariedade nacional. É fundamental o auxílio e a consciência do Congresso e do poder executivo federal para que nós possamos avançar”.

“Não sou negacionista, não sou apavorado e assustado, não implementei o lockdown que me pedem desde janeiro. Desde o dia que eu ganhei a eleição: ‘o senhor vai fazer lockdow?’ Faremos o que for necessário no momento que for necessário. “

São Paulo já adotou a estratégia da antecipação e programou um superferiado de 10 dias no fim de março.

‘Genocídio’

Paes chamou de “genocídio” a estratégia de montar hospitais de campanha quando o Rio tinha leitos parados. “Quando os hospitais de campanha ficaram prontos, um pico da doença já tinha passado”, disse.

“Nós temos uma situação muito mais grave. O desfecho pode ser vir a morrer”, alertou.

Praias fechadas

Um novo decreto determinou o fechamento das praias neste fim de semana.

As regras se somam às do decreto publicado há uma semana e, a princípio, valem da 0h de sábado (20) até as 5h de segunda-feira (22).

Está proibido:

  • Ficar na areia da praia;
  • Praticar esportes na praia;
  • Tomar banho de mar;
  • Comércio e serviços na praia, incluindo ambulantes;
  • Entrada de ônibus e vans fretados na cidade, exceto de hotéis;
  • Estacionar na orla.

Veja os detalhes das novas medidas

As áreas de lazer da orla não vão funcionar no domingo.

De acordo com a determinação, fica proibida a permanência nas areias em qualquer horário, incluindo a prática de esportes, o banho de mar e o exercício de qualquer atividade econômica, como o comércio ambulante.

Também está proibida a entrada de ônibus e outros veículos de fretamento na cidade, com a exceção dos que prestam serviços regulares para os funcionários de empresas ou para hotéis. Neste último caso, os passageiros devem confirmar a reserva de hospedagem.

O estacionamento também foi proibido na orla, exceto para os moradores, idosos, portadores de necessidades especiais, hóspedes de hotéis e táxis.

As áreas de lazer nas pistas das avenidas Delfim Moreira, Vieira Souto e Atlântica, além do Aterro do Flamengo, também estão suspensa.

Relembre o decreto do dia 11

O fechamento das praias é um acréscimo ao decreto da semana passada. As regras são:

  • Entre 23h e 5h, será proibido permanecer em ruas, espaços públicos, praias e praças; a multa por descumprimento é de R$ 562,42 – a circulação será permitida;
  • Eventos, festas e rodas de samba também estão proibidos;
  • Não podem funcionar boates, casas de espetáculo, feiras especiais, feiras de ambulantes e feirartes (artesanato) — feiras livres, de alimentos, estão liberadas;
  • A lotação máxima de 40% também deve ser observada em todos os lugares.

No entanto, bares, restaurantes e afins ainda poderão funcionar até as 21h, com delivery depois desse horário.

Continua em vigor o escalonamento das atividades econômicas:

  • Serviços: das 8h às 17h;
  • Repartições públicas: das 9h às 19h;
  • Comércio (incluindo shoppings): das 10h30 às 21h.

Boletim nesta sexta

Nesta sexta, o prefeito se reúne com o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, para a divulgação do 11º Boletim Epidemiológico da Covid-19 na cidade. Os dois devem detalhar as medidas que serão adotadas no fim de semana.

A Prefeitura do Rio considera que os próximos dias vão dar o tom das novas medidas e anunciou uma reunião com o comitê científico na segunda-feira (22). O lockdown é uma possibilidade.

Recorde de internação

As UTIs dos hospitais públicos do Rio tinham mais de 622 pacientes internados nesta quinta-feira (18). Foi o maior número desde o início da pandemia, mesmo se considerado o momento em que havia hospitais de campanha.

A ocupação de leitos de UTI na rede SUS na capital — incluindo leitos municipais, estaduais e federais — era de 95%.

G1

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