Prejuízo de esquema ilegal para compra de marca-passo chega a R$ 13,5 milhões

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A operação, chamada de “dopamina”, realizada na última segunda-feira (18), pelo Núcleo de Combate à Corrupção e Improbidade Administrativa, criado pelo Ministério Público Federal de São Paulo, em parceria com a Polícia Federal, pegaram quadrilha que agia no maior hospital do país, o Hospital das Clínicas em São Paulo.

Segundo a polícia, o neurocirurgião Erich Fonof e o diretor administrativo, Waldomiro Pazin, ambos do Hospital das Clínicas de São Paulo, são suspeitos de orientar pacientes a ingressarem com ações na Justiça para conseguir liminares em caráter de urgência para implante de marca-passo para o tratamento do Mal de Parkinson – doença degenerativa que limita os movimentos voluntários do corpo, por falta de um neurotransmissor chamado dopamina, daí o nome da operação.

Assim que a liminar era concedida, marca-passo e eletrodos, usados no procedimento cirúrgico, eram comprados sem licitação da empresa Dabsons, do empresário Vitor Dabah. Segundo a polícia, para fornecer o equipamento, com exclusividade, o empresário pagava propina aos funcionários do HC.

O valor do conjunto era superfaturado, vendido por R$ 114 mil. Comprado com licitação pelo SUS, o equipamento sairia por R$ 27 mil.

De acordo com a investigação, o esquema funcionou entre 2009 e 2014. Nesse período, foram realizadas 154 cirurgias para implante de marca-passo. O prejuízo aos cofres públicos, segundo a polícia, chega a R$ 13,5 milhões.

Em São Paulo, a polícia cumpriu dez mandados de busca e apreensão e quatro de condução coercitiva – quando um suspeito é chamado a dar esclarecimentos à polícia. Um mandado de busca e apreensão também foi cumprido numa empresa do Rio de Janeiro, que vende produtos médicos.

Os quatro suspeitos levados em condução coercitiva foram ouvidos e liberados. A advogada da empresa Dabsons disse que não teve acesso às investigações e que, por enquanto, a empresa e seu dono, Victor Dabah, não vão se manifestar.

O neurocirurgião, Erich Fonoff, informou que as denúncias causam surpresa e indignação. E que está à disposição das autoridades para contribuir com o esclarecimento do caso. A coordenação do Hospital das Clínicas informou que a instituição colabora com as investigações desde fevereiro e que vai abrir uma apuração interna sobre o caso. O diretor Waldomiro Pasin não foi encontrado.