Tão rápido quanto promete o nome do novo Ford Mustang Mach 1, que é velocidade do som, foi a venda do modelo no País. Em apenas 24 horas, a marca conseguiu esgotar todo o primeiro lote de 80 unidades de um carro que custa R$ 499.000 por exemplar.

Em termos gerais, a Ford vendeu quase R$ 40 milhões (R$ 39.920.000 para ser mais exato) em 24 horas. Isso dá cerca de R$ 1,7 milhão a cada hora. Se for transformado em carro, pouco mais de três Mustang Mach 1 vendidos a cada hora. Não é pouca coisa.

Vale lembrar que faz menos de três meses que a Ford encerrou toda a produção nacional no País, acabando com a linha Ka e Ecosport – produto que foi projetado e criado no Brasil, virando mundial na segunda geração.

Para fazer os mesmos R$ 40 milhões vendendo o Ecosport, considerando o valor de Tabela Fipe de uma das versões mais procuradas antes do fim, a Freestyle 1.5 AT, de R$ 88.010, seria preciso vender 453 unidades.

No caso do Ka, a conta fica ainda maior. Considerando o valor da versão SE com motor 1.0 na Tabela Fipe, R$ 53.005, seria preciso emplacar 753 unidades.

“A conta não é simples”, dizem especialistas

Levando em consideração esses números, dá para concluir que a Ford acertou ao desistir de produzir carros mais “populares” e focar na importação de modelos mais caros? Segundo especialistas, essa conta não é tão simples.

Primeiro porque os custos de um carro produzido no Brasil e de um modelo importado são diferentes e não pode ser simplesmente equiparado.

“A composição de valor e precificação entre um carro que é produzido no Brasil e outro que vem de fora são totalmente diferentes. Tentar equivaler ambos abre um ‘buraco negro’ de variáveis”, diz um consultor.

Outra questão é a margem de lucro encontrada em cada um dos modelos, o valor agregado de um SUV é maior do que no hatch, por exemplo. Isso permite que as marcas lucrem mais em cada exemplar produzido.

O mesmo, é claro, acontece em relação ao Mustang, que é um ícone do mercado por seus 57 anos de história. “O desejo por uma peça única, exclusiva e que poucos têm acesso, permite que ele tenha mais lucratividade pelo valor agregado”, diz uma das fontes consultadas.

Ele completa: “o Mustang por si só já seria bastante desejado, uma série que você tem uma gama ampla de opções de cores permite ainda mais exclusividade. Dentro de um universo de cerca de 200 milhões de habitantes, com apenas 80 unidades no primeiro momento raramente você vai cruzar com outro carro igual na rua. Tudo isso conta”.

Uma das fontes consultadas adiciona uma possibilidade à discussão: “a Ford pode ter tido apenas R$ 10 de lucro em cada Mustang, por exemplo, mas trouxe para mostrar o que há de tecnologia na marca, em demais produtos que serão importados e marca uma posição de que não irá sair de vez do Brasil”.

Em resumo, as contas simples mostradas acima só mostram quanto seria necessário vender de cada modelo para atingir o mesmo montante que a Ford conseguiu com o Mustang Mach 1, mas não necessariamente para ter a mesma lucratividade.

Inclusive, é importante lembrar, que na categoria do Ford Ka, o lucro por unidade vendida é um dos menores do mercado. “A disputa por conseguir o menor custo às vezes bate no lucro da companhia. É preciso conseguir economizar em cada peça, cada processo de produção para ter um preço competitivo nessa categoria”, afirma um antigo executivo do setor.

Por fim, vale lembrar que a Ford já contava com o Mustang em seu portfólio no período em que produzia Ka e Ecosport no Brasil. A versão do esportivo importada para cá era a Black Shadow, que acabou aposentada no país com a chegada do Mach 1.

UOL

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