Reflexo de uma temporada inteira, Flamengo perde título da Sul-Americana

Por Stéphany Afonso

Na decisão, o Flamengo abriu o marcador com Lucas Paquetá, aos 29′ do primeiro tempo. O Independiente chegou ao empate com o menino Barco, de 18 anos, em pênalti cobrado aos 39′. O resultado foi o suficiente para o título do ”Rei de Copas”, já que a equipe de Ariel Holan venceu o jogo de ida por 2 a 1. Com o título, os argentinos serão os adversários do Grêmio em duas partidas em fevereiro, que podem definir o campeão da Recopa. O Flamengo disputa ano que vem a Libertadores e a Copa do Brasil.

”Eu teria um desgosto profundo se faltasse o Flamengo no mundo.”

Caro amante do futebol, é assim que diz o hino de um dos maiores clubes do Brasil! Não que perder um título de Sul-Americana desbanque toda sua grandeza, mas, o Flamengo de ontem não fez jus a sua história. O time de Rueda não perdeu este título na noite passada, o percurso – que poderia ser mudado – já estava escrito. A resulta foi reflexo do planejamento de uma temporada inteira, que infelizmente não bastava apenas no futebol jogado. Houve contestação por toda parte, já que, uma equipe com tamanho investimento poderia ir de encontro ao fracasso. A falta de planejamento nos mostra mais uma vez ser o motivo principal da ausência de resultados em times grandes no Brasil.  A carência de organização resultou num Flamengo sem padrão adequado, inconstante, que avança mas não se projeta, que aprendeu a nadar para morrer na praia. Além de tudo, faltou a essência do histórico ”Mengão”, equilíbrio, têmpera, espírito, atitude… PAIXÃO! O Flamengo deste ano, não foi Flamengo.

Apesar do número de finalizações, o dono da casa fez pouco. Pecou na dinâmica do meio-campo, continuou dando espaços ao Independiente, sem movimento de apoio e infiltração pra quebrar a linha do adversário. Apostando em ligações diretas, esteve duas vezes na frente da decisão, na Argentina e no Rio, e em nenhum dos casos soube sustentar a vantagem. O time argentino foi superior, jogou mais futebol, possuiu uma organização maior, não rifava a bola. Sabiam o que tinha de ser feito, não se intimidaram com um Maracanã lotado.

Alguns flamenguistas realmente deram o sangue, mas faltou essência de campeão para aqueles que deveriam ser destaque. Houve luta e entrega, sim! Não podemos descrever ou deixar de citar o lance de Juan, que virou santo após milagre na noite de ontem. Assim como a atuação dos jovens criados em berço rubro-negro. Isso era futebol, esse era o Flamengo. Enquanto isso, ”a estrela” de Diego não brilhava em mais um jogo decisivo. Ao lado de Everton Ribeiro, chegou com a finalidade de grandeza, mas para jogar num time como o Flamengo não basta fazer apenas o que se sabe. São excelentes jogadores, entretanto, não cumpriram sua função, não foram destaques, não lideraram a equipe, foram incapazes de ir além. Diego não chutou uma bola ao gol, não chamou jogo e muito menos atenção. Numa final de Sul-Americana entregou totalmente suas responsabilidades nas mãos de jovens promessas, inexperientes para uma final internacional. O Flamengo do elenco experiente e milionário passou a depender de garotos de 20 anos de idade. Ironia, não?

Como amante do futebol, torço para que independente das falhas de gestão, o esporte no Brasil volte a ter amor à camisa e resgate as tradições de nossas grandes e históricas equipes, não apenas na arquibancada, mas principalmente dentro de campo e seus arredores.

Que 2018 seja um ano promissor para o nosso futebol, ainda mais na Copa do Mundo.