Rombo nas contas do governo soma R$ 7,54 bilhões e recua 62% em julho

As contas do governo apresentaram um rombo de R$ 7,547 bilhões em julho, informou nesta quinta-feira (30) a Secretaria do Tesouro Nacional. Foi o melhor resultado para este mês em quatro anos.

Isso significa que as despesas do governo federal no mês passado superaram as receitas com impostos e contribuições neste valor e, por isso, houve déficit (resultado negativo). O conceito primário não inclui na conta os gastos com pagamento de juros da dívida.

Com isso, o rombo fiscal caiu 62,6% frente ao mesmo mês do ano passado – quando bateu recorde para meses de julho ao somar R$ 20,15 bilhões. As comparações com os mesmos períodos de anos anteriores é considerada mais apropriada por analistas.

A melhora do resultado das contas do governo no mês passado está relacionado com a boa arrecadação, que teve o melhor mês de julho em sete anos – puxada pelas receitas com “royalties” do petróleo (em um momento de alta do produto no mercado internacional) e com o aumento da tributação sobre combustíveis, entre outros.

No acumulado dos sete primeiros meses deste ano, ainda de acordo com o Tesouro Nacional, as contas do governo registraram um déficit primário de R$ 38,875 bilhões.

Com isso, o déficit primário (despesas maiores do que receitas, sem contar juros da dívida) recuou 49,3% frente ao mesmo período do ano passado (-R$ 76,633 bilhões). Esse foi o melhor resultado para este período desde 2015, informou a instituição.

O desempenho das contas públicas neste período pode ajudar o governo no cumprimento da meta fiscal para este ano, ou seja, do resultado pré-fixado para as contas públicas. Para 2018, o governo está autorizado a registrar déficit (despesas maiores que receitas) de até R$ 159 bilhões. Esse valor também não inclui os gastos com juros da dívida.

Em julho deste ano, segundo dados do Tesouro Nacional, a chamada “receita líquida” total, ou seja, após as transferências feitas aos estados e municípios, registrou alta, em termos reais, de 14,3%, para R$ 106,401 bilhões. Na parcial do ano, avançou 7,6%, para R$ 707,570 bilhões.

Ao mesmo tempo, as despesas totais registraram uma queda real de 0,2% em julho deste ano, para R$ 113,948 bilhões, na comparação com julho de 2017. Nos sete primeiros meses do ano, houve uma alta real de 1,9%, para R$ 750,466 bilhões.

Os investimentos, por sua vez, somaram R$ 24,649 bilhões de janeiro a julho deste ano. No mesmo período do ano passado, foram de R$ 19,953 bilhões.

A Secretaria do Tesouro Nacional também informou que o rombo da Previdência Social (sistema público que atende aos trabalhadores do setor privado) foi de R$ 14,547 bilhões em julho. Esse valor é 7,6% maior que o resultado negativo registrado no mesmo mês do ano passado (R$ 13,517 bilhões).

Nos primeiros sete meses de 2018, por sua vez, o déficit previdenciário foi de R$ 105,369 bilhões, valor que é 9,3% maior que o registrado no mesmo período do ano passado (R$ 96,384 bilhões).

Para 2018, a expectativa do governo é de um novo crescimento no rombo do INSS. A previsão que consta na última revisão orçamentária do governo é de um resultado negativo de R$ 196,636 bilhões, contra um resultado negativo de R$ 182,45 bilhões no ano passado.

Por conta dos seguidos déficits bilionários, o governo propôs uma reforma da Previdência, que parou no Congresso em maio do ano passado após o aparecimendo das primeiras denúncias envolvendo o presidente Michel Temer.

Em fevereiro deste ano, o governo tentou retomar a tramitação da proposta, mas acabou desistindo diante da falta de votos. Na mesma época, anunciou a intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro.

Segundo o governo, as receitas com concessões tiveram alta de 3,5% no acumulado de janeiro a julho, para R$ 3,056 bilhões. No mesmo período do ano passado, somaram R$ 2,952 bilhões.

Ao mesmo tempo, o governo também recolheu mais dividendos (parcelas do lucro) das empresas estatais nos sete primeiros meses de 2018: R$ 5,652 bilhões, ante R$ 4,302 bilhões no mesmo período do ano passado.

No caso do pagamento de subsídios e subvenções, houve queda. De janeiro a julho deste ano, somaram R$ 11,902 bilhões, contra R$ 17,064 bilhões no mesmo período do ano passado.

Fonte: G1

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