Secretários do ABC criticam extinção do Ministério da Cultura

Sem títuloA extinção do MinC (Ministério da Cultura) pelo presidente interino da República, Michel Temer (PMDB), causou indignação em secretários de Cultura do ABCD. Os gestores temem um retrocesso na política que vinha sendo conduzida pelo governo de Dilma Rousseff (PT).

“Estamos vivendo o início de uma grande tragédia para o povo brasileiro. Só um governo surgido de um golpe poderia propor tamanho absurdo. É um retrocesso para o País. O momento é de resistência dos produtores culturais, comunidade artística, mulheres, negros, população indígena, trabalhadores e juventude”, afirmou o secretário Tiago Nogueira, secretário de Cultura de Santo André.

Tiago disse que o governo Dilma investiu R$ 12 milhões na construção de dois CEUs da Arte em Santo André, nos bairros Ana Maria e Marek. As obras estão em fase de conclusão. O Ministério da Cultura também já autorizou um projeto de captação de verbas para a reforma do Cine Teatro Carlos Gomes.

“Com a extinção do MinC, tememos uma interferência no futuro das políticas de cultura como mudanças na lei Rouanet e alguns projetos na cidade como a construção de salas de cinema na periferia de Santo André”, afirmou Tiago Nogueira.

Já o secretário de Cultura de São Bernardo, Oswaldo de Oliveira Neto, disse estar preocupado com a extinção do Ministério da Cultura e a influência nos projetos. O secretário citou emendas parlamentares no valor de R$ 800 mil envolvendo um concurso literário e um encontro de cultura popular tradicional programadas para a cidade e que foram liberadas. “Esperamos que esse governo não mexa em financiamentos e em contratos já assinados”, disse.

Para o secretário de São Bernardo, a mudança na política cultural tem gerado frustração. “É mais que um retrocesso, é uma dor, pois depois de lutarmos tanto por mudanças isso ocorre. É muito triste, lamentável”, avaliou Neto.

Insegurança

Para o secretário de Cultura, Esportes e Lazer da Prefeitura de Mauá, Erisson Pessoa, a extinção também significa um prejuízo para todo o País e também uma insegurança com relação aos projetos e programas culturais de Mauá. “Nos sentimos inseguros quanto à continuidade de alguns investimentos, como por exemplo uma verba de R$ 70 mil para a realização de oficinas culturais no CEU das Artes e dos Esportes do Parque das Américas”, afirmou.

Erisson também se preocupa com a continuidade do Encontro da Cena de Teatro viabilizado por meio da Lei de Incentivo à Cultura e que conta com uma parceira entre a Prefeitura e o governo federal. “Neste ano foi realizado o IV Encontro, com 43 espetáculos gratuitos que percorreram diferentes pontos da cidade e levaram ao público espetáculos dos mais variados gêneros, com milhares de visitantes”, finalizou o secretário.

Fonte: ABCD Maior