Veja o que o uso contínuo de anticoncepcional pode causar

577696_344299175638099_611165961_nDa redação

A experiência da universitária de Bauru (SP), Juliana Bardella, serve de alerta à milhares de mulheres que fazem uso da pílula anticoncepcional. A jovem decidiu fazer um post no Facebook contando a experiência de ir parar na UTI por conta de uma trombose cerebral que começou com uma simples dor de cabeça.

Aos 22 anos Juliana  relata que sentiu fortes dores de cabeça, até que acordou um dia com perda momentânea de movimentos, seguida pela incapacidade de executar tarefas simples do dia a dia, como comer e ir ao banheiro.

A estudante diz que o texto serve de alerta às mulheres que usam esse tipo de medicamento. “Acredito que eu posso alertar as pessoas, que elas olhem o texto, vejam seus sintomas e que têm que procurar o médico para verificar. Porque eu não imaginava, levo uma vida boa, me cuido, minha família nunca teve caso. Foi um susto muito grande”, afirma.

Sintomas
A universitária, que cursa medicina veterinária na Unesp de Botucatu, relata que tudo começou com uma dor de cabeça, que “foi aumentando gradativamente durante três semanas, até ficar insuportável.” Ela procurou o hospital da cidade, onde a médica receitou analgésicos. Dois dias depois, percebeu que a perna e os braços demoravam para obedecer um comando.

A jovem resolveu faltar à aula e esperar que aquilo, que acreditava ser apenas um mal-estar, passasse. “Alguns minutos depois peguei o celular para fazer uma ligação, mas foi muito difícil, fiquei muito tempo olhando para a tela sem saber o que fazer, como se tivesse esquecido como manusear um telefone. Deixei o celular de lado e fui ao banheiro, e para o meu maior desespero não sabia mais usar o banheiro, fiquei olhando pela porta e não sabia mais por onde começar, como isso era possível?”, escreve. “Fiquei muito tempo olhando para a tela sem saber o que fazer, como se tivesse esquecido como manusear um telefone”.

Após ligar para os pais, com ajuda de amigas, ela foi levada para um hospital em São Paulo, onde fez os exames que confirmaram o quadro de trombose. “Foi um choque, não consegui entender bem o que estava acontecendo, o médico me perguntou se eu tomava anticoncepcional, eu disse que sim, há cinco anos, e então ele disse que essa poderia ser a causa do problema”, relata.

Depois de 15 dias de internação, três deles na UTI, veio a confirmação de que o quadro tinha sido causado mesmo pelo uso do anticoncepcional, que ela usava há cinco anos. “Três ginecologistas diferentes, e nenhum me alertou sobre a trombose, mesmo perguntando a respeito, nenhum falou que seria um risco. Não tenho histórico familiar, não sou fumante, e os exames de sangue estavam normais, não tinha predisposição a ter trombose”, destaca.

Risco conhecido
Alguns tipos de anticoncepcionais estão relacionados ao aumento do risco de trombose. Esse risco é bastante conhecido pela medicina, por isso, a prescrição de um contraceptivo deve levar em conta se a mulher tem outros fatores de risco para a doença.

Os anticoncepcionais relacionados ao desenvolvimento do quadro de trombose são os que contêm o hormônio drospirenona. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária já emitiu um alerta para que seja comunicada sobre reações adversas graves com mulheres que tomam este tipo de medicamento. O alerta foi dado após uma pesquisa da agência americana FDA, divulgada em 2011, sugerir um risco aumentado de formação de coágulos sanguíneos, de trombose venosa e tromboembolia pulmonar. Artigos publicados no British Medical Journal (BMJ) levantaram a mesma questão.

A bula do medicamento Yaz, usado pela jovem de Botucatu, informa sobre a contraindicação a pacientes que possuem histórico de trombose, enxaqueca e outras doenças, e traz o seguinte alerta: “Estudos epidemiológicos sugerem associação entre a utilização de COCs e um aumento do risco de distúrbios tromboembólicos e trombóticos arteriais e venosos, como infarto do miocárdio, trombose venosa profunda, embolia pulmonar e acidentes vasculares cerebrais. A ocorrência destes eventos é rara”.

Em nota, o laboratório Bayer – fabricante do Yaz, informou que a empresa segue a decisão da Comissão Europeia, que concluiu que “os benefícios dos contraceptivos hormonais combinados na prevenção da gravidez não planejada continuam a superar os riscos e que a possibilidade de tromboembolismo venoso (TEV), associada ao uso de contraceptivos hormonais combinados, é pequena”.