Segundo o DGABC o número de denúncias de violência doméstica recebidas somente na coordenadoria de mulheres de Ribeirão Pires, que atende na sede do Creas (Centro de Referência Especializado em Assistência Social), cresceu em 1.235% nos últimos três anos.

Segundo levantamento feito pelo serviço, foram registrados 247 casos em 2020, ante 20 atendimentos em 2018. Outro ponto observado foi que, no período, a procura pela coordenadoria de mulheres foi maior nos meses de julho e setembro. Já o tipo de agressão mostrou modificação no perfil, sendo que em 2018 o ranking foi liderado por casos de violência doméstica, com 19 atendimentos, e somente um por orientação de gênero. No entanto, no ano passado, todas as vertentes foram procuradas com mais frequência, com 85 denúncias de violência doméstica, 82 intrafamiliar, 49 sexuais e 31 por orientação de gênero.

Psicóloga da coordenadoria de mulheres, Vanessa Belli destacou que a pandemia influenciou no aumento de casos de agressão em todos os setores.

Vanessa também pontua que a idade das vítimas, no entanto, se mantém nos níveis de agressão desde 2018, sendo a maior parte na faixa etária entre 30 e 59 anos. Além disso, o bairro campeão da cidade em casos de violência doméstica é o Centro, seguido de Ouro Fino.

Moradoras de Ribeirão Pires em situação de violência podem procurar atendimento pelo telefone 4828-6434 ou presencialmente (Rua Batista Lion, 108 – Centro), de segunda a sexta-feira, das 10h às 16h. É possível, também, efetuar a denúncia por Whatsapp (11) 93058-7421 (que também atende ligações a cobrar) e funciona 24 horas, nos sete dias da semana.

ATENDIMENTO

Nos casos de violação sexual em mulheres e adolescentes a partir dos 12 anos, o primeiro atendimento é feito na rede municipal, sendo que casos de emergência são recebidos pelo Hospital e Maternidade São Lucas, com atendimento 24 horas, onde existe também o Centro de Referência à Saúde da Mulher. Mesmo que as vítimas de violência sexual deem entrada por outros setores – como a GCM (Guarda Civil Municipal) ou Assistência Social –, o atendimento será prioritário.

Mulheres vítimas de violência física serão encaminhadas – e podem dar entrada diretamente – na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Santa Luzia. Além disso, a GCM mantém atendimento 24 horas a toda a população. Munícipes podem acionar o serviço pelos telefones 153 ou 4828-3204/ 4825-2318, ou comparecer à Rua João Domingues de Oliveira, 320, Centro (base central da GCM), ou na unidade 24 horas da corporação, na área entre o terminal rodoviário, estação da CPTM (Companhia de Trens Metropolitanos) e Atende Fácil.

Denúncias também podem ser feitas pelo 190 da Polícia Militar e 180 – Central de Atendimento à Mulher.

Todos os tipos de agressões previstas na Lei Maria da Penha (11.340/06) foram sofridas por Luzia. Violências física, psicológica, moral, patrimonial e até mesmo sexual fizeram parte da história que ela pretende deixar no passado.

Ela afirmou ainda que soube de diversas traições e que a própria família desistiu de ajudá-la, já que ela não tomava qualquer atitude diante das agressões.

SEM JULGAMENTOS

Psicóloga da coordenadoria de mulheres, Vanessa Belli explicou que quando as mulheres procuram o atendimento, nem sempre já estão prontas para abrir mão da vida com a qual estão, de fato, acostumadas.

Segundo a psicóloga, após sofrer violência, a mulher acaba “naturalizando” , e até mesmo se culpa pela recorrência.

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