Início Esporte Corte alemã adia veredito de ação de André Brasil por reclassificação

Corte alemã adia veredito de ação de André Brasil por reclassificação

O veredito da ação que o nadador André Brasil move contra o Comitê Paralímpico Internacional (IPC, sigla em inglês) seria divulgado na última terça-feira (2), mas a Corte Regional de Colônia (Alemanha), que analisa o caso, adiou a resposta em mais uma semana. Há cerca de dois anos, o campeão paralímpico e mundial foi considerado inelegível para competir entre atletas com deficiência nas provas em que é especialista. O IPC ainda não se pronunciou sobre o caso.

A classificação a que se refere o nadador é o que define a categoria do atleta no esporte adaptado e se o grau de deficiência o torna apto a competir nas modalidades paralímpicas. As classes de 1 a 10 (entre as 14 da natação) são voltadas a deficientes físico-motores. André era da classe S (do inglês swimming) 10, a de menor comprometimento. Ele teve poliomielite aos dois meses de vida após reação à vacina e teve sequelas na perna esquerda, mesmo depois de oito anos em hospitais e sete cirurgias.

Em abril de 2019, André passou por uma reclassificação (a primeira após mudanças nas regras de avaliação definidas em 2018) antes de uma competição internacional em São Paulo. A análise de duas bancas de especialistas não o considerou apto à classe S10 nos nados livre, costas e borboleta. Como não há categoria acima, o brasileiro ficou inelegível, com exceção das provas de nado peito (que não é a especialidade dele), após 14 anos de carreira, 14 pódios paralímpicos, 32 mundiais e 21 parapan-americanos.

Na natação, os atletas são submetidos a avaliações fora e dentro da água e recebem uma pontuação que pode chegar a 300, que representa uma pessoa sem deficiência de locomoção. Para ser considerado apto às provas paralímpicas, o nadador pode somar, no máximo, 285 pontos. André, na reclassificação de 2019, obteve um ponto a mais.

O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), que apoia André na ação, manifestou-se por nota. A entidade argumenta que “o procedimento de mudança das regras de classificação não foi transparente e nem baseado em critérios científicos, o que trouxe na verdade distorções para o sistema na natação, alterando a classe de muitos nadadores”. Cita, também, o caso do italiano Francesco Bocciardo, campeão e recordista paralímpico da classe S6 nos 400 metros medley, reclassificado para a classe S5, a mesma do multimedalhista brasileiro Daniel Dias, passando a competir com atletas de maior grau de comprometimento que o dele.

Outro questionamento que CPB e André fazem diz respeito à presença da chefe de classificação do torneio que o nadador disputaria nas duas bancas de especialistas, “inclusive mostrando para a segunda banca a avaliação feita pela primeira”. O Comitê entende que houve uma “interferência indevida” da avaliadora e que ela teria maculado “a independência na avaliação dos classificadores”, segundo nota da entidade nacional do para desporto.

Leia mais em: Agência Brasil

Deixe uma resposta